Dia Internacional do Cuidado 2025

Cuidar para competir: novo relatório da OIT demonstra o interesse económico das políticas de cuidados para as pessoas empregadas com deficiência

Em antecipação do Dia Internacional do Cuidado, um novo relatório da Rede Mundial de Empresas e Deficiência da Organização Internacional do Trabalho estabelece uma relação entre a existência de políticas eficazes de cuidado e apoio no local de trabalho a pessoas com deficiência e o envolvimento, retenção e produtividade do pessoal.

24 de outubro de 2025

Conteúdo também disponível em: English español français italiano

GENEBRA (Notícias da OIT) – Num recente relatório e em antecipação do Dia Internacional do Cuidado, 29 de outubro, a Rede Mundial de Empresas e Deficiência da Organização Internacional do Trabalho (OIT) afirma que desenvolver iniciativas relacionadas com os cuidados e apoio no trabalho para as pessoas com deficiência e aquelas que têm dependentes com deficiência é bom para as empresas.

O relatório, entitulado Care to Compete: Corporate Policies and Practices on Care and Support for Employees with Disabilities and Employees with Dependants with Disabilities [Cuidar para competir: políticas e práticas das empresas em matéria de cuidados e apoio ao pessoal com deficiência e às suas famílias], baseia as suas conclusões numa análise da conceção e implementação bem-sucedidas de políticas de cuidados e apoio no local de trabalho inclusivas para pessoas com deficiência por parte de grandes empresas. Este relatório é publicado um ano após a adoção Resolução da OIT sobre trabalho digno e à economia de cuidados, de 2024 e do Plano de Ação, que apela à expansão dos serviços de assistência e apoio a pessoas com deficiência para promover a sua autonomia, independência e o acesso ao emprego.

As empresas inquiridas destacaram a aplicação desigual das políticas entre regiões como o desafio estrutural mais frequente, seguido das lacunas nos benefícios e subsídios dedicados aos cuidados e apoio.

Conclusões do relatório

O relatório identifica seis áreas recorrentes de prática que se inscrevem nas políticas das principais empresas: compromisso visível da direção, integração dos cuidados e apoio em estratégias mais amplas de sustentabilidade e inclusão; colaboração entre departamentos; estabelecimento de mínimos globais com flexibilidade local; implementação uniforme e coerente em todos os segmentos.

Aprendemos que as nossas melhores políticas resultam de ouvirmos os funcionários que vivem a realidade de equilibrar trabalho e cuidados. A sua visão é o que transformou políticas em práticas nas quais as pessoas podem confiar.

Para as trabalhadoras e trabalhadores, a análise sublinha a relação entre políticas de cuidados eficazes e inclusivas em termos de deficiência, por um lado, e satisfação no trabalho, retenção e produtividade, por outro. O relatório também evidenciou uma lacuna significativa na consciencialização das pessoas sobre a existência de políticas de cuidados e apoio, especialmente em matéria de apoio financeiro, o que sugere a necessidade de uma comunicação interna mais clara.

Estabelecer um mínimo global deu-nos a clareza de que precisávamos, mas foram as contribuições locais que a tornaram realidade.

O relatório recomenda que as empresas considerem as políticas dos cuidados e apoio como investimentos estratégicos que ajudam a melhorar a produtividade e a retenção. Também apela a uma melhor comunicação interna e a uma maior inclusão do pessoal, em particular das pessoas com deficiência e das pessoas cuidadoras, na conceção e revisão periódica das políticas relacionadas com os cuidados. Além disso, o relatório recomenda procedimentos ao nível da gestão claros para garantir uma implementação justa e consistente em todos os segmentos, tais como serviços de saúde mental e recursos específicos para pessoas cuidadoras, além de práticas sistemáticas de auditoria de contratação, desempenho e promoção para mitigar o preconceito contra as pessoas cuidadoras e favorecer uma liderança inclusiva.

Os empregadores e os decisores políticos estão cada vez mais a reconhecer os benefícios das políticas do cuidados e apoio eficazes, integradas e coerentes no local de trabalho, sublinhando a importância de construir sistemas do cuidado sensíveis ao género e inclusivos em termos de deficiência. A Resolução da OIT de 2024 relativa ao trabalho digno e à economia do cuidado, e o seu Plano de Ação, apelam ainda à expansão dos serviços de assistência e apoio às pessoas com deficiência, a fim de promover a sua autonomia, a independência e o acesso ao emprego.

Uma videoconferência realizada no dia 23 de outubro de 2025 destacou abordagens práticas das principais empresas, mais de 45 membros da Rede Mundial de Empresas e Deficiência da OIT, entre as quais a AXA, Capgemini, ENGIE, HSBC e a L'Oréal. A gravação do evento está disponível.