Promover a coesão social e a co-existência pacífica em contextos frágeis através da educação e formação técnico- profissional guia para profissionais de EFTP

A Educação e Formação Técnica e Profissional (ETFP) é adequada para satisfazer a necessidade imediata de melhorar a empregabilidade de pessoas afectadas por conflitos armados e desastres naturais, permitindo que estas tenham ou busquem meios de subsistência através do trabalho digno com base em oportunidades disponíveis localmente nos sectores público e/ou privado.

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Muitas vezes, os jovens em Moçambique estão desconectados das oportunidades educativas e de emprego, principalmente em áreas rurais ou afectadas por conflitos ou eventos climáticos extremos. Isso os torna mais vulneráveis ao recrutamento para conflitos armados, exploração para o trabalho ou envolvimento em actividades ilícitas.

Além de jovens as mulheres enfrentam ameaças adicionais que podem ser reduzidas com o acesso à formação técnica e profissional. Por exemplo: garantir o acesso de mulheres à formação professional pode permitir que alcancem a autossuficiência económica, evitando que recorram a actividades informais, uniões prematuras ou submissão a formas de exploração, através do trabalho de sexo, para gerar renda, como muitas vezes acontece em áreas afectadas por conflitos ou desastres naturais.

Geralmente, a assistência humanitária em Moçambique foca nas necessidades mais urgentes,como o apoio a segurança alimentar e saúde, dando especial atenção à crianças em idade escolar.

Contudo, os programas de EFTP devem ser incorporados de maneira eficaz, especialmente para jovens e mulheres, a fim de proporcionar habilidades e oportunidades de trabalho para garantir a resiliência a longo prazo, no âmbito do nexo humanitário, desenvolvimento e paz (N- HDP).

Os programas de EFTP oferecem uma via de reintegração ao combinar o desenvolvimento de competências com a resolução e mitigação de conflitos e capacidades de coesão social. Isto contribui para reduzir o impacto psicossocial do trauma e da deslocação e pode oferecer um contexto da vida real para restabelecer a cooperação e a inclusão e promover a coesão social dentro e entre as comunidades.

Isto é particularmente comprovável se os programas de EFTP envolverem aprendizagem baseada no trabalho.

Contudo, o treino por si só não oferece uma solução rápida para criar coesão social. É essencial que programas de formação profissional em Moçambique integrem metodologias sensíveis a conflitos e enfoquem a “não causar danos”, promovendo activamente a coesão social com base na participação e nas necessidades de jovens e de mulheres em situação de vulnerabilidade.

Isso é crucial em contextos como os das províncias de Cabo Delgado, Nampula e Niassa onde os conflitos têm impactado fortemente na vida das comunidades.

Em Moçambique, ainda existem lacunas significativas em materiais e metodologias que orientem os formadores vocacionais sobre como promover a coesão social e a integração de jovens e mulheres marginalizados em programas de EFTP.

Assim, é necessário investir em recursos específicos para os formadores, para garantir que todos os grupos vulneráveis tenham a chance de participar plenamente.