Novo documento de trabalho da OIT expõe as significativas "diferenças salariais das pessoas com deficiência"
Taxas de desemprego mais elevadas, rendimentos mais baixos e uma tendência para o trabalho por conta própria caraterizam a realidade do mundo do trabalho de muitas pessoas com deficiência.
28 de agosto de 2024
GENEBRA (Notícias da OIT) – De acordo com um novo documento de trabalho da Organização Internacional do Trabalho (OIT), as pessoas com deficiência têm menos oportunidades de trabalho e quando as têm auferem salários mais baixos.
As pessoas com deficiência também são afetadas por níveis de desemprego mais elevados e têm maior probabilidade de trabalhar por conta própria, de acordo com o documento A study on the employment and wage outcomes of people with disabilities.
O estudo, que inclui novos dados, conclui que as pessoas com deficiência no ativo recebem, em média, 12 por cento menos à hora do que os outros trabalhadores e trabalhadoras, e que três quartos desta diferença – 9 por cento - não se podem explicar por diferenças atribuídas à educação, idade e tipologia de trabalho. Nos países de baixo e de médio baixo rendimento, esta diferença salarial por deficiência é consideravelmente mais acentuada, atingindo 26 por cento e quase metade não pode ser explicada por diferenças sociodemográficas.
A situação é ainda mais grave para as mulheres com deficiência, que também são confrontadas com uma diferença salarial substancial entre homens e mulheres em comparação com os seus homólogos masculinos. Em média, em 14 países que dispõem de dados desagregados por sexo, as diferenças salariais entre homens e mulheres com deficiência são de 6 por cento nos países desenvolvidos e de 5 por cento nos países em desenvolvimento.
Estima-se que 1,3 mil milhões de pessoas, ou seja, cerca de uma em cada seis pessoas a nível da população mundial, sofram de uma deficiência grave (dados de 2021). Com apenas 3 em cada 10 pessoas com deficiência ativas no mercado de trabalho, a sua taxa global de participação no mercado de trabalho é muito baixa e os progressos no sentido de uma maior inclusão têm sido relativamente lentos.
As conclusões sugerem ainda que as pessoas com deficiência podem tender para trabalhar por conta própria.
Para além disso, o documento da OIT apresenta uma série de medidas para melhorar a participação das pessoas com deficiência no mercado de trabalho, incluindo tornar o processo de recrutamento em linha e os processos conexos mais acessíveis, um maior apoio aos empregadores para incentivarem a contratação de pessoas com deficiência e um apoio aos trabalhadores e às trabalhadoras com deficiência com medidas de adaptação adequadas para facilitar o seu trabalho.
O documento de trabalho faz parte de um projeto de investigação sobre as desigualdades que analisa o emprego e os resultados em matéria de salários dos grupos vulneráveis. Um estudo anterior sobre as diferenças salariais e de emprego entre as zonas rurais e urbanas foi publicado em fevereiro de 2024.