Dia Internacional da Mulher
Alcançar a igualdade de gênero nas taxas de emprego: alguns números do mercado de trabalho do Brasil
7 de março de 2025
BRASÍLIA (Notícias da OIT) - Mais do que uma data comemorativa, o Dia Internacional da Mulher, celebrado anualmente em 8 de março, é sempre uma oportunidade para debater e para promover iniciativas que reduzam as desigualdades entre homens e mulheres no mundo do trabalho.
Estas desigualdades se manifestam nas dificuldades e nas barreiras encontradas pelas mulheres para entrar, permanecer e ascender no mercado de trabalho, na segmentação do mercado de trabalho, nos obstáculos para assumirem cargos de liderança, nas desigualdades de renda e na exposição à violência e ao assédio no ambiente de trabalho.
Um estudo recente da OIT aponta, apesar de progressos registrados desde 1991, globalmente, as taxas de emprego das mulheres permanecem muito abaixo das dos homens, com apenas 46,4% das mulheres em idade ativa empregadas em 2024, em comparação com 69,5% dos homens. No ritmo atual de progresso, atingir a igualdade nas taxas de emprego levaria quase dois séculos.
Além disso, embora um maior número de mulheres jovens estejam estudando e recebendo capacitação, esse fato não se traduziu em ganhos significativos no mercado de trabalho. As mulheres ocupam apenas 30% dos cargos de direção a nível mundial, tendo-se verificado apenas uma ligeira melhoria nas últimas duas décadas.
“ Trinta anos após a adoção da Declaração e Plataforma de Ação de Pequim para assegurar os direitos das mulheres, a igualdade de gênero no trabalho ainda é uma promessa distante. É hora de acelerar a implementação de políticas públicas eficazes. Precisamos de ações concretas para garantir a participação plena das mulheres no mercado de trabalho e eliminar a disparidade salarial. A inércia não é mais uma opção.”, disse o diretor do Escritório da OIT para o Brasil, Vinícius Pinheiro.
O Escritório da OIT para o Brasil analisou a taxa de participação de homens e mulheres no mercado de trabalho brasileiro.
Quanto às dificuldades de acesso e à segmentação do mercado de trabalho, a atribuição às mulheres de papéis tanto na sociedade (o de mãe, o dever de cuidar etc.), comum no trabalho de cuidados e nos afazeres domésticos, quanto no mercado de trabalho (profissões “femininas”) representam o maior obstáculo para a promoção de um mercado de trabalho com igualdade de gênero. Consequentemente, 31,7% das mulheres em idade ativa não procuravam trabalho porque tinham de cuidar dos afazeres domésticos, dos filhos ou de outros parentes, enquanto entre os homens este percentual era de apenas 3,5%.
Segundo dados da PNAD Contínua (PNADC) do IBGE (2024/4ºT), a taxa de participação feminina foi quase 20 pontos percentuais menor do que a dos homens maiores de 14 anos de idade (72,7% ante 53,1%), números similares aos observados no mesmo período do ano de 2019 (73,4% ante 54,3%), No Brasil, a taxa de participação total é de 62,6% (2024/4ºT).
E quando acessam o mercado de trabalho, 22,4% das mulheres ocupadas exercem trabalhos predominantemente relacionados aos setores de educação, saúde humana e serviços sociais, enquanto os homens realizavam trabalhos nos setores da indústria e do comércio - 15,1% e 19,3%, respectivamente.
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