Dia Internacional da Mulher
Alcançar a igualdade de gênero nas taxas de emprego levaria quase dois séculos, diz OIT
Trinta anos após a Declaração e a Plataforma de Ação de Pequim terem estabelecido uma agenda ambiciosa para a igualdade, as mulheres ainda enfrentam barreiras significativas na economia, de acordo com novos dados divulgados pela Organização Internacional do Trabalho (OIT).
6 de março de 2025
GENEBRA (Notícias da OIT) - Trinta anos depois da Declaração e da Plataforma de Ação de Pequim terem estabelecido uma agenda ambiciosa para a igualdade, as mulheres ainda enfrentam barreiras significativas na economia, de acordo com estudo Women and the Economy: 30 Years after the Beijing Declaration (As mulheres e a economia: 30 anos após a Declaração de Pequim) uma nova publicação da Organização Internacional do Trabalho (OIT) divulgada por ocasião do Dia Internacional da Mulher.
Apesar de as diferenças em termos de emprego entre homens e mulheres terem diminuído de 27,1 para 23,1 pontos percentuais desde 1991, as taxas de emprego das mulheres permanecem muito abaixo das dos homens, com apenas 46,4% das mulheres em idade ativa empregadas em 2024, em comparação com 69,5% dos homens. No ritmo atual de progresso, atingir a igualdade nas taxas de emprego levaria quase dois séculos.
Embora um maior número de mulheres jovens estejam estudando e recebendo capacitação, esse fato não se traduziu em ganhos significativos no mercado de trabalho. As mulheres ocupam apenas 30% dos cargos de direção a nível mundial, tendo-se verificado apenas uma ligeira melhoria nas últimas duas décadas.
As mulheres continuam a ser sobrerrepresentadas em setores de baixa remuneração, como a enfermagem e os cuidados infantis, enquanto os homens dominam áreas como os transportes e a mecânica. As mulheres continuam também a enfrentar ganhos médios mais baixos e menos horas de trabalho e estão sobrerrepresentadas em empregos informais em países de renda baixa e renda média-baixa.
São necessárias reformas urgentes para abordar a desigual responsabilidade em matéria de prestação de cuidados, as diferenças salariais entre homens e mulheres e a violência e assédio no mundo do trabalho.
Sukti Dasgupta, diretora do Departamento de Condições de Trabalho e Igualdade da OIT
Por outro lado, houve progresso na redução da diferença de renda entre mulheres e homens: anualmente, as mulheres empregadas (tanto as assalariadas quanto as autônomas) ganhavam 0,77 centavos para cada dólar recebido pelos homens em 2024, ainda uma diferença significativa, mas uma melhora em relação aos 0,70 centavos de 2004.
“Três décadas depois de as lideranças mundiais terem se reunido em Pequim e terem se comprometido a fazer avançar os direitos das mulheres em todo o mundo, ainda há desafios significativos no cumprimento da Declaração de Pequim”, explicou Sukti Dasgupta, diretora do Departamento de Condições de Trabalho e Igualdade da OIT.
"Embora tenha havido progresso, milhões de mulheres ainda enfrentam barreiras persistentes para entrar, permanecer e avançar em um trabalho decente. São necessárias reformas urgentes para abordar a desigual responsabilidade em matéria de prestação de cuidados, as diferenças salariais entre homens e mulheres e a violência e o assédio no mundo do trabalho, fatores que continuam a tornar os locais de trabalho mais desiguais e menos seguros para as mulheres”, afirmou.
O relatório apresenta tendências globais em matéria de emprego e condições de trabalho para mulheres e homens, destacando desigualdades persistentes, muitas vezes agravadas por fatores como o status de migrante ou de pessoa com deficiência. Destaca também as barreiras sistêmicas que as mulheres enfrentam quanto a oportunidades de emprego e a condições de trabalho dignas, que resultam de desigualdades estruturais profundamente enraizadas, normas sociais discriminatórias e políticas econômicas que não consideram as diferentes necessidades de mulheres e de homens.
Como pedra angular dos esforços globais em direção ao empoderamento das mulheres, a Plataforma de Ação de Pequim continua sendo uma força poderosa na definição de políticas e leis que promovam o progresso social e econômico em todo o mundo. Em meio às transições digitais, ambientais e demográficas, sua visão é mais relevante do que nunca.