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Em reunião dos Ministros da Fazenda e Presidentes dos Bancos Centrais do G20, OIT defende fortalecimento de políticas de emprego e proteção social

As autoridades econômicas máximas das maiores economias do planeta discutiram, entre outros temas, o papel das políticas econômicas no combate à desigualdade.

Notícias | 1 de Março de 2024
Foto: Kelly Fersan/MF
Brasília – A Organização Internacional do Trabalho (OIT) participou da primeira reunião dos Ministros da Fazenda e Presidentes do Banco Central do G20, realizada nos dias 28 e 29 fevereiro, em São Paulo, quando foram discutidos temas relacionados ao papel das políticas econômicas no combate e à desigualdade. A agenda também incluiu discussões sobre as perspectivas globais de crescimento, emprego, inflação e estabilidade financeira e à taxação internacional, assim como o endividamento e o financiamento do desenvolvimento sustentável.

A OIT foi representada pelo diretor de Pesquisa, Richard Samans, e pelo diretor do Escritório para o Brasil, Vinícius Pinheiro. Durante o evento, a OIT defendeu que melhorar a qualidade do crescimento econômico, associada à qualidade de vida de desenvolvimento humano, é tão importante quanto aumentar a quantidade do crescimento econômico medido pelo Produto Interno Bruto (PIB).

O fortalecimento de instituições e de políticas públicas na área de trabalho e proteção social é fundamental para melhorar a qualidade do crescimento e promover reformas estruturais centradas nas pessoas.

“Instituições sociais fortalecidas são a base para a construção de contratos sociais com inclusão, sustentabilidade e resiliência”, assinalou Samans.

A OIT também defendeu a importância de se considerar o conceito de subutilização da força de trabalho laboral na formulação das políticas monetária e fiscal, em complementação às estatísticas de desemprego.

Foto: Kelly Fersan/MF
De acordo com Samans, as estatísticas de desemprego “não contam toda a história".

“Em 2023, 189 milhões de pessoas foram oficialmente registradas como desempregadas em todo o mundo. Contudo, mais do dobro desse número, 435 milhões de pessoas, para ser mais específico, queriam emprego, mas não conseguiram encontrá-lo. Isto é o que chamamos de “disparidade de emprego”, e também inclui pessoas que não se enquadram na definição restritiva de desempregado. Por exemplo, há muitas pessoas que gostariam de ter um emprego, mas não conseguiriam começar dentro de uma ou duas semanas, o que é um dos critérios de desemprego utilizados em muitos países.", acrescentou Samans.

O representante da OIT afirmou que a subutilização da força de trabalho foi de 11,1% – mais do dobro da taxa de desemprego global de 5,1%. E é desproporcionalmente feminino (13,7% de mulheres contra 9,3% de homens).”

Foto: Isadora Ferreira/ONU Brasil
A reunião foi presidida pelo ministro da Fazenda do Brasil, Fernando Haddad, e pelo Presidente do Banco Central do Brasil, Roberto Campos Neto.

O documento de conclusões do encontro feito pela presidência brasileira confirmam que desigualdades, pobreza, baixa produtividade e empregos mal remunerados, especialmente nos países em desenvolvimento estão entre os desafios econômicos globais e afirma que os Ministros estão comprometidos em continuar a promover o diálogo para apoiar o investimento em infraestrutura e transições justas juntamente com as dimensões sociais, econômicas e ambientais do desenvolvimento sustentável”.

A reunião contou com a presença das autoridades econômicas máximas das maiores economias do planeta, incluindo da secretária do Tesouro dos Estados Unidos, Janet Yellen , e a presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde.

Além das delegações dos países-membros do G20 e das nações convidadas pela presidência brasileira, a reunião contou com a participação presença da vice-secretária-geral da ONU, Amina Mohammed; da presidente do Novo Banco de Desenvolvimento, Dilma Rousseff; do presidente do Banco Mundial, Ajay Bang; do presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Ilan Goldfajn; e da diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva.