Cooperação Sul-Sul

Peru fortalece a resposta territorial ao trabalho forçado e ao trabalho infantil na região de Ucayali

Representantes de instâncias regionais de combate ao trabalho forçado e ao trabalho infantil de Ucayali, região da Amazônia peruana, trocaram experiências com especialistas do Ministério do Trabalho e Emprego do Brasil para fortalecer a articulação entre instituições e níveis de governo e avançar rumo a respostas mais eficazes a partir do território.

1 de outubro de 2026

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PUCALLPA (Notícias da OIT) – Fortalecer a prevenção e a resposta ao trabalho forçado e ao trabalho infantil em nível territorial foi o foco das jornadas técnicas realizadas pela OIT e pela Direção Regional de Trabalho e Promoção do Emprego de Ucayali nos dias 29 e 30 de setembro, no âmbito da cooperação Sul-Sul entre Brasil e Peru.

Integrantes da Comissão Regional para o Combate ao Trabalho Forçado de Ucayali (CRLCTF) e do Comitê Diretivo Regional para a Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil (CDRPETI) participaram de duas sessões destinadas a fortalecer a articulação interinstitucional e a conhecer ferramentas desenvolvidas pelo Brasil que podem contribuir para o enfrentamento de ambos os problemas na região.

Grupo de personas de pie posa frente a paneles institucionales y un banner sobre la Amazonía peruana.
© OIT/Carlos Franco
© OIT/Carlos Franco
Integrantes de la Comisión Regional para la Lucha contra el Trabajo Forzoso participaron en la primera jornada de intercambio técnico entre Perú y Brasil. Pucallpa, 2026.

As jornadas combinaram a participação presencial de representantes regionais em Pucallpa com a participação virtual de especialistas do Ministério do Trabalho e Emprego do Brasil (MTE), representantes do Ministério do Trabalho e Promoção do Emprego do Peru (MTPE) e integrantes das instâncias nacionais de combate ao trabalho forçado e ao trabalho infantil.

Experiências que podem contribuir para a resposta a partir do território

Durante o primeiro dia, dedicado ao trabalho forçado, Lucilene Pacini, auditora-fiscal do trabalho do MTE do Brasil, apresentou a experiência brasileira e alguns de seus principais mecanismos de intervenção, entre eles os Grupos Especiais de Fiscalização Móvel, o canal de denúncias Ipê e o Fluxo Nacional de Atendimento às Vítimas.

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Personas sentadas alrededor de una mesa observan en una pantalla la exposición virtual de una mujer.
© OIT/Carlos Franco
© OIT/Carlos Franco
Lucilene Pacini, auditora fiscal del trabajo de Brasil, presentó la experiencia de coordinación intersectorial para la erradicación del trabajo forzoso. Pucallpa, 2026.

Pacini explicou que este último instrumento permite organizar as competências das diferentes instituições envolvidas nas etapas de denúncia, resgate e pós-resgate. Desde 1995, a política brasileira de combate ao trabalho forçado permitiu resgatar mais de 66.000 pessoas, segundo dados apresentados durante a sessão.

O segundo dia concentrou-se no trabalho infantil. Roberto Padilha, coordenador nacional de Erradicação e Fiscalização do Trabalho Infantil do MTE do Brasil, apresentou um modelo baseado na articulação de quatro componentes: dados, comissões, planos e fluxos diferenciados de atendimento.

Personas sentadas alrededor de una mesa observan en una pantalla la exposición virtual de un hombre.
© OIT/Carlos Franco
© OIT/Carlos Franco
Roberto Padilha, coordinador nacional del MTE de Brasil, compartió la experiencia de coordinación intersectorial para prevenir y erradicar el trabajo infantil. Pucallpa, 2026.

O intercâmbio permitiu conhecer como essas ferramentas se articulam na experiência brasileira e refletir sobre os aprendizados que podem ser relevantes para o contexto de Ucayali.

Da experiência ao fortalecimento da resposta regional

As sessões também permitiram confrontar a experiência brasileira com a realidade de Ucayali. Teodoro Sanz, consultor do projeto, apresentou as conclusões preliminares do diagnóstico regional sobre trabalho forçado e trabalho infantil, que foram discutidas com os integrantes de ambos os espaços.

Durante o diálogo, surgiram necessidades concretas de fortalecimento, entre elas dispor de mais ferramentas para caracterizar situações de trabalho forçado, distinguir o trabalho infantil de certas formas de “ajuda familiar” e melhorar o acompanhamento das vítimas após as operações.

Essas contribuições servirão para orientar as próximas etapas do projeto, incluindo uma missão presencial de especialistas brasileiros a Ucayali, bem como o desenvolvimento de instrumentos operacionais adaptados às necessidades da região.

O diretor regional de Trabalho e Promoção do Emprego de Ucayali, Juan Antonio Zevallos, destacou, durante a abertura, a importância de contar com uma Comissão Regional de Combate ao Trabalho Forçado e ressaltou que a erradicação desse problema exige um trabalho contínuo a médio e longo prazo.

Por sua vez, Mônica Salmito, analista líder de projetos da Agência Brasileira de Cooperação do Ministério das Relações Exteriores (ABC/MRE), destacou a parceria entre Brasil, Peru e a OIT e anunciou a próxima missão da equipe brasileira a Ucayali.

Siete personas posan frente a un edificio, entre dos banners institucionales colocados a ambos lados del grupo.
© OIT/Carlos Franco
© OIT/Carlos Franco
Representantes del Comité Directivo Regional para la Prevención y Erradicación del Trabajo Infantil participaron en la segunda jornada de intercambio técnico. Pucallpa, 2026.

As atividades integram o projeto "Rumo ao desenvolvimento sustentável na Amazônia peruana: erradicando o trabalho infantil e forçado em Ucayali por meio da cooperação Sul-Sul", desenvolvido mediante cooperação Sul-Sul trilateral entre a ABC/MRE, o Ministério do Trabalho e Emprego do Brasil, o Ministério do Trabalho e Promoção do Emprego do Peru, a OIT e o PNUD, com financiamento do Governo do Brasil.

Informação adicional

Referências

  • DOI: N/A

Projetos relevantes

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