Cooperação Sul-Sul
Peru fortalece a resposta territorial ao trabalho forçado e ao trabalho infantil na região de Ucayali
Representantes de instâncias regionais de combate ao trabalho forçado e ao trabalho infantil de Ucayali, região da Amazônia peruana, trocaram experiências com especialistas do Ministério do Trabalho e Emprego do Brasil para fortalecer a articulação entre instituições e níveis de governo e avançar rumo a respostas mais eficazes a partir do território.
1 de outubro de 2026
PUCALLPA (Notícias da OIT) – Fortalecer a prevenção e a resposta ao trabalho forçado e ao trabalho infantil em nível territorial foi o foco das jornadas técnicas realizadas pela OIT e pela Direção Regional de Trabalho e Promoção do Emprego de Ucayali nos dias 29 e 30 de setembro, no âmbito da cooperação Sul-Sul entre Brasil e Peru.
Integrantes da Comissão Regional para o Combate ao Trabalho Forçado de Ucayali (CRLCTF) e do Comitê Diretivo Regional para a Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil (CDRPETI) participaram de duas sessões destinadas a fortalecer a articulação interinstitucional e a conhecer ferramentas desenvolvidas pelo Brasil que podem contribuir para o enfrentamento de ambos os problemas na região.
As jornadas combinaram a participação presencial de representantes regionais em Pucallpa com a participação virtual de especialistas do Ministério do Trabalho e Emprego do Brasil (MTE), representantes do Ministério do Trabalho e Promoção do Emprego do Peru (MTPE) e integrantes das instâncias nacionais de combate ao trabalho forçado e ao trabalho infantil.
Experiências que podem contribuir para a resposta a partir do território
Durante o primeiro dia, dedicado ao trabalho forçado, Lucilene Pacini, auditora-fiscal do trabalho do MTE do Brasil, apresentou a experiência brasileira e alguns de seus principais mecanismos de intervenção, entre eles os Grupos Especiais de Fiscalização Móvel, o canal de denúncias Ipê e o Fluxo Nacional de Atendimento às Vítimas.
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Pacini explicou que este último instrumento permite organizar as competências das diferentes instituições envolvidas nas etapas de denúncia, resgate e pós-resgate. Desde 1995, a política brasileira de combate ao trabalho forçado permitiu resgatar mais de 66.000 pessoas, segundo dados apresentados durante a sessão.
O segundo dia concentrou-se no trabalho infantil. Roberto Padilha, coordenador nacional de Erradicação e Fiscalização do Trabalho Infantil do MTE do Brasil, apresentou um modelo baseado na articulação de quatro componentes: dados, comissões, planos e fluxos diferenciados de atendimento.
O intercâmbio permitiu conhecer como essas ferramentas se articulam na experiência brasileira e refletir sobre os aprendizados que podem ser relevantes para o contexto de Ucayali.
Da experiência ao fortalecimento da resposta regional
As sessões também permitiram confrontar a experiência brasileira com a realidade de Ucayali. Teodoro Sanz, consultor do projeto, apresentou as conclusões preliminares do diagnóstico regional sobre trabalho forçado e trabalho infantil, que foram discutidas com os integrantes de ambos os espaços.
Durante o diálogo, surgiram necessidades concretas de fortalecimento, entre elas dispor de mais ferramentas para caracterizar situações de trabalho forçado, distinguir o trabalho infantil de certas formas de “ajuda familiar” e melhorar o acompanhamento das vítimas após as operações.
Essas contribuições servirão para orientar as próximas etapas do projeto, incluindo uma missão presencial de especialistas brasileiros a Ucayali, bem como o desenvolvimento de instrumentos operacionais adaptados às necessidades da região.
O diretor regional de Trabalho e Promoção do Emprego de Ucayali, Juan Antonio Zevallos, destacou, durante a abertura, a importância de contar com uma Comissão Regional de Combate ao Trabalho Forçado e ressaltou que a erradicação desse problema exige um trabalho contínuo a médio e longo prazo.
Por sua vez, Mônica Salmito, analista líder de projetos da Agência Brasileira de Cooperação do Ministério das Relações Exteriores (ABC/MRE), destacou a parceria entre Brasil, Peru e a OIT e anunciou a próxima missão da equipe brasileira a Ucayali.
As atividades integram o projeto "Rumo ao desenvolvimento sustentável na Amazônia peruana: erradicando o trabalho infantil e forçado em Ucayali por meio da cooperação Sul-Sul", desenvolvido mediante cooperação Sul-Sul trilateral entre a ABC/MRE, o Ministério do Trabalho e Emprego do Brasil, o Ministério do Trabalho e Promoção do Emprego do Peru, a OIT e o PNUD, com financiamento do Governo do Brasil.
Informação adicional
Referências
- DOI: N/A
Projetos relevantes
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