MPT e OIT lançam manual para assegurar proteção de pessoas travestis e transexuais em operações de combate ao tráfico de pessoas para fins de trabalho análogo ao de escravo
Material foi produzido com a participação de representantes de várias instituições e da sociedade civil e faz homenagem à travesti e ativista LGBTIQ+ Valéria Rodrigues.
“Em operações de resgaste de vítimas de tráfico de pessoas para fins de trabalho análogo ao de escravo, em especial, travestis e transexuais, é fundamental levar em consideração as particularidades desse público durante toda a operação desde o planejamento até o encaminhamento das pessoas resgatadas. Assim, a cartilha, pretende orientar as instituições envolvidas nessas operações para que sejam respeitados seus direitos e a operação seja eficiente e de proteção a essas pessoas. ”, disse Maria Cláudia Falcão, coordenadora do Programa de Princípios e Direitos Fundamentais no Trabalho do Escritório da OIT no Brasil.
A existência de uma lacuna de informação com relação a diretrizes ou orientações específicas para operações de enfrentamento ao tráfico de pessoas para fins de trabalho forçado, que incluísse também a exploração do trabalho sexual, motivou a elaboração desse documento.
O manual foi redigido a partir da experiência adquirida por representantes de diversas instituições que participaram de ações de resgates de trabalhadores(as) travestis e transexuais submetidos(as) ao trabalho análogo ao de escravo durante as operações “Fada Madrinha”, ocorrida simultaneamente em nos municípios de Franca e São Paulo, em São Paulo, Goiânia, Aparecida de Goiânia, Jataí e Rio Verde, em Goiás, e Leopoldina, em Minas Gerais, em agosto de 2018, e “Cinderela”, realizada em Ribeirão Preto, São Paulo, em março de 2019.
Participaram das operações representantes da Subsecretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), vinculada à Secretaria Especial de Previdência e Trabalho (SEPRT) do Ministério da Economia, da Polícia Federal (PF), do Ministério Público Federal (MPF), do MPT, da OIT, da Defensoria Pública da União (DPU) e da sociedade civil.
“O material foi produzido com a participação de representantes de várias instituições, da sociedade civil, a partir de experiências compartilhadas em duas operações envolvendo pessoas trans. Ele traz uma espécie de “letramento” da diversidade e orientações valiosas para o atendimento humanizado das pessoas em situação de tráfico. Daí seu destaque e extrema relevância” disse a procuradora do Trabalho do MPT, Tatiana Bivar Simonetti.
O título do documento traz uma homenagem à travesti e ativista LGBTIQ+ Valéria Rodrigues, diretora do Instituto Nice, uma organização referência nacional voltado à reinserção social, profissional e a promoção da cidadania de Transexuais, Travestis, Gays, Lésbicas e Bissexuais em todo Brasil. Ela participou das operações “Fada Madrinha” e “Cinderela”, e atuou como consultora da OIT. Valeria morreu em março de 2021, aos 41 anos, devido a complicações decorrentes da COVID-19.