Grupo de autores posa com o livro no evento de lançamento.

Desenvolvimento sustentável

Com apoio da OIT, Ipea lança livro sobre transição justa nas finanças no Brasil

Obra traz cinco princípios para orientar a transição: transformações estruturais e institucionais, papel do Estado, combate às desigualdades de raça e gênero, abordagem territorial e participação social.

30 de junho de 2026

O evento de lançamento em Brasília reuniu representantes do governo federal, de organismos internacionais e pesquisadores. © Thiago Rodrigues/Ipea

BRASÍLIA (Notícias da OIT) – O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em parceria com o Ministério da Fazenda, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) e a agência de cooperação alemã GIZ, lançou nesta segunda-feira (29) o livro “Transição justa nas finanças no Brasil”. O objetivo do livro é ampliar a compreensão sobre como financiar a transição para uma economia de baixo carbono sem aumentar desigualdades. A equipe do Escritório da OIT para o Brasil forneceu apoio técnico à elaboração do livro.

O evento de lançamento em Brasília reuniu representantes do governo federal, de organismos internacionais e pesquisadores para discutir os desafios de alinhar financiamento climático e justiça social no país.

Na abertura do evento, o especialista técnico em Finanças Sociais da OIT, Fernando Líbano, recordou a que definição da OIT sobre transição justa é precisamente"promover economias ambientalmente sustentáveis de forma inclusiva, criando oportunidades de trabalho decente, reduzindo desigualdade e não deixando ninguém para trás."

"Pensamos em quantos empregos dependem de serviços ecossistêmicos, ou o risco de horas do expediente de trabalho ficarem muito quente para trabalhar e o impacto disso nos trabalhadores, em produtividade, mas também o impacto das respostas para uma mudança do clima no aspecto social." disse ele.

Composto por nove capítulos, o livro aborda o papel do sistema financeiro na promoção de uma economia de baixo carbono, aliando sustentabilidade, inclusão social e trabalho decente. O livro discute os fundamentos conceituais da transição justa, os riscos climáticos, os instrumentos de financiamento sustentável e o papel da Taxonomia Sustentável Brasileira na orientação dos fluxos financeiro.

Para que a transição para uma economia ambientalmente sustentável contribua para a redução de desigualdades, serão necessárias mudanças nas formas de produzir, consumir, de organizar a sociedade. A necessidade de transformações estruturais e institucionais é princípio fundamental para que se possa falar em transição justa, especialmente no contexto brasileiro, marcado por profundas desigualdades regionais, sociais e raciais.

Líbano e o especialista em Políticas de Emprego e Mercado de Trabalho da OIT, Aguinaldo Maciente, junto com demais autores, participaram da elaboração do capítulo intitulado “Posicionando Conceitos: Princípios para a Transição Justa nas Finanças Sustentáveis no Brasil”. No texto, autores defendem que políticas públicas e instrumentos financeiros precisam ir além dos critérios ambientais, incorporando a redução das desigualdades, a inclusão de trabalhadores e comunidades vulneráveis e as especificidades dos diferentes territórios, para que a transformação ecológica promova crescimento sustentável sem deixar ninguém para trás.

Por fim, as discussões trazidas no livro apontam o papel indispensável do Estado e das finanças públicas para coordenar e conduzir esse processo e da ampla participação da sociedade e das populações afetadas, para que haja adesão às políticas e estratégias de mudança.

Baixe o livro no site do Ipea.

(Com informações da Ascom do Ipea)