Iniciativa reuniu representantes do Brasil, do Peru e da OIT para intercâmbio de conhecimentos sobre a promoção do trabalho decente na cadeia do algodão e no meio rural

Cooperação Sul-Sul

Brasil, Peru e OIT compartilham experiências para promover o trabalho decente na cadeia de valor do algodão

Delegação peruana participou do 15º Congresso Brasileiro do Algodão, em Belo Horizonte, e de atividades em Campina Grande (PB) que reuniram experiências de pesquisa, inspeção do trabalho e extensão rural voltadas à melhoria das condições de trabalho e ao fortalecimento da agricultura familiar.

14 de outubro de 2026

Iniciativa reuniu representantes do Brasil, do Peru e da OIT para intercâmbio de conhecimentos sobre a promoção do trabalho decente na cadeia do algodão e no meio rural © OIT

BRASÍLIA (Notícias da OIT) – Representantes do Brasil, do Peru e da Organização Internacional do Trabalho (OIT) participaram, entre 22 e 26 de setembro, de uma missão de intercâmbio de conhecimentos sobre a promoção do trabalho decente na cadeia do algodão e no meio rural. Com início em Belo Horizonte (MG) e encerramento em Campina Grande (PB), a agenda buscou compartilhar experiências brasileiras e identificar oportunidades de Cooperação Sul-Sul Trilateral.

O Projeto Algodão com Trabalho Decente, implementado no âmbito do Programa de Cooperação Sul-Sul Brasil-OIT, apoiou a participação de representantes peruanos no 15º Congresso Brasileiro do Algodão (CBA), realizado pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) entre os dias 22 e 24 de setembro de 2026, no Expominas, em Belo Horizonte. A delegação do Peru, de composição tripartite, reuniu integrantes do Ministério do Trabalho e Promoção do Emprego (MTPE), de organizações de trabalhadores e de empregadores.

O Projeto também viabilizou a presença no CBA da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), da OIT, do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e da Empresa Paraibana de Pesquisa, Extensão Rural e Regularização Fundiária (EMPAER-PB).

Entre os temas tratados estiveram a prevenção e a erradicação do trabalho infantil e do trabalho forçado, o combate à discriminação, a segurança e a saúde no trabalho, a igualdade entre mulheres e homens, o associativismo e a agricultura familiar.

Ao combinar o debate setorial do Congresso, o diálogo com a inspeção do trabalho e o contato direto com políticas em operação no território, a missão permitiu reunir diferentes perspectivas sobre os desafios da cadeia produtiva e as possibilidades de adaptação das práticas brasileiras à realidade peruana.

“Quando falamos em uma cadeia de valor do algodão sustentável, falamos de sustentabilidade econômica, ambiental e social. Por isso, é fundamental que os trabalhadores e trabalhadoras da cadeia do algodão, ou seja, desde a produção até a venda do produto final, tenham condições de trabalho decente, principalmente de saúde e segurança no trabalho”, disse Fernanda Barreto, Coordenadora do Programa de Cooperação Sul-Sul Brasil-OIT.

Em Belo Horizonte, a delegação acompanhou o CBA, principal evento do setor no Brasil, país que hoje lidera as exportações mundiais de algodão e é o terceiro maior produtor global. A programação seguida pelo grupo incluiu plenárias sobre mercado, gestão da produção, certificação e rastreabilidade, além de um workshop sobre produção de algodão em bases agroecológicas. O tema desta edição, “Algodão brasileiro: fibra natural. Uma jornada com propósito, qualidade e transparência”, dialoga com os objetivos do Projeto, já que a credibilidade da cadeia depende também das condições de trabalho na produção.

Representantes do Brasil, do Peru e da OIT em visita a campo
© OIT
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Representantes do Brasil, do Peru e da OIT participam intercâmbio de conhecimentos sobre a promoção do trabalho decente na cadeia do algodão e no meio rural.

Na tarde de 22 de setembro, após a abertura do Congresso, os participantes foram recebidos na Superintendência Regional do Trabalho em Minas Gerais (SRTb-MG) para uma sessão de trabalho com o MTE sobre a experiência brasileira de combate ao trabalho infantil e ao trabalho forçado. A exposição do MTE abordou a articulação entre as esferas nacional, estadual e municipal, as comissões tripartites, a atuação em cadeias produtivas e a segurança e saúde no trabalho rural. A delegação peruana, por sua vez, compartilhou a experiência do país. Assim, a etapa mineira combinou o debate sobre produção, tecnologias e sustentabilidade com a perspectiva da inspeção do trabalho.

“A participação da delegação tripartite do Peru no Congresso Brasileiro do Algodão é uma expressão concreta da Cooperação Sul-Sul como instrumento de intercâmbio de conhecimentos e fortalecimento de capacidades. A iniciativa permite aproximar instituições brasileiras e peruanas e conhecer experiências, tecnologias e políticas públicas que podem contribuir para o desenvolvimento sustentável da cadeia do algodão”, disse Mônica Salmito, analista-Líder da Agência Brasileira de Cooperação (ABC).

Encerrado o Congresso, a comitiva seguiu para Campina Grande, onde, nos dias 25 e 26 de setembro, as atividades foram organizadas conjuntamente com o MTE, a Embrapa Algodão e a EMPAER-PB. A programação aproximou os participantes de políticas, serviços e iniciativas que articulam pesquisa agropecuária, assistência técnica, extensão rural e proteção dos direitos no trabalho.

No dia 25, o encontro técnico contou com exposições da OIT e da ABC sobre o Programa de Cooperação Sul-Sul Brasil-OIT e com apresentações do MTE e da delegação peruana. A Embrapa Algodão destacou tecnologias que reduzem a exposição dos trabalhadores a riscos, além de equipamentos e cultivares que contribuem para melhorar as condições de trabalho, e demonstrou pequenas máquinas de patente aberta.

No dia 26, em visita ao reassentamento Águas de Acauã, os participantes conheceram experiências de acesso a crédito para atividades produtivas de mulheres, regularização fundiária e titulação de terras com foco nas mulheres, além da política de garantia de safra. Esses temas estenderam a discussão a políticas e ações de apoio à produção, à renda e à autonomia econômica no meio rural.

“Não é possível falar em produção de algodão em bases agroecológicas sem discutir as condições de trabalho dos produtores e trabalhadores envolvidos. É fundamental dar visibilidade a essas condições, garantir proteção e seguridade social, promover a participação das mulheres e fortalecer o diálogo e a organização dos trabalhadores. Integrar essas dimensões é essencial para promover o trabalho decente em toda a cadeia produtiva do algodão”, destacou Eduardo Berrios Sosa, Especialista da Direção de Promoção e Proteção dos Direitos Fundamentais do Trabalho do MTPE.

Iniciado em 2015, o Projeto Algodão com Trabalho Decente promove a sistematização, o intercâmbio e a adaptação de experiências brasileiras em países produtores de algodão. Após a conclusão dos projetos-país no Mali, em Moçambique, no Paraguai, no Peru e na Tanzânia, suas atividades concentram-se no componente global, voltado à aprendizagem mútua e à cooperação entre países, eixo em que se insere esta missão