22ª Sessão do Comitê de Alto Nível sobre Cooperação Sul-Sul da Assembleia Geral

OIT reafirma seu compromisso com a cooperação Sul-Sul por meio do intercâmbio de conhecimentos e do desenvolvimento de capacidades

A OIT e seus parceiros da ONU também organizaram uma discussão sobre o potencial da IA para impulsionar o crescimento inclusivo e a justiça social, durante reunião do Comitê de Alto Nível Sul-Sul (SSTC) da Assembleia Geral da ONU.

29 de maio de 2025

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© ILO
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Participants of the 22nd Session of High-Level Committee on South-South Cooperation

Da esquerda para a direita: Carlos Carrion-Crespo, oficial de Relações Multilaterais, OIT; Xiaojun Grace Wang, diretora do Fundo Fiduciário, UNOSSC; Muserref Yetim, professor Clínico no Programa de Relações Internacionais, NYU; Cynthia Samuel-Olonjuwon, representante Especial na ONU e diretora do Escritório da OIT para a ONU; Anita Amorim, chefe da Unidade de Parcerias Emergentes e Especiais, OIT; José Gilberto Scandiucci, ministro Conselheiro, Missão Permanente do Brasil na ONU; e Dwi Wisnu Budi Prabowo, primeiro secretário, Missão Permanente da Indonésia na ONU.

NOVA YORK (Notícias da OIT) – A Organização Internacional do Trabalho (OIT) reafirmou seu firme compromisso com a promoção da justiça social e do trabalho decente por meio da Cooperação Sul-Sul e Triangular (CSST) na 22ª Sessão do Comitê de Alto Nível sobre Cooperação Sul-Sul (SSTC), realizada na Assembleia Geral das Nações Unidas (AGNU), em Nova York, em 28 de maio.

Representando a OIT, a chefe da Unidade de Parcerias Emergentes e Especiais, Anita Amorim, destacou o papel essencial da organização em facilitar o compartilhamento de conhecimento e a capacitação entre os países em desenvolvimento. Ela ressaltou o compromisso da OIT em apoiar o Sul Global no compartilhamento de boas práticas e lições aprendidas em áreas como proteção social, desenvolvimento de habilidades e políticas de mercado de trabalho, a fim de melhor equipá-los para fazer frente aos diversos desafios enfrentados.

Além disso, a OIT e o Escritório das Nações Unidas para a Cooperação Sul-Sul (UNOSSC) organizaram um painel de discussão à margem da Sessão do Comitê para explorar maneiras pelas quais a Inteligência Artificial (IA) e a Ciência, Tecnologia e Inovação (CTI) podem ser alavancadas para enfrentar os desafios urgentes de desenvolvimento no Sul Global. Participaram representantes dos governos da Indonésia e do Brasil, líderes globais, diplomatas e especialistas e a discussão foi pautada por marcos políticos e modelos colaborativos emergentes do BRICS, do G20 e de redes mais amplas de CSST.

O evento abordou as promessas quanto os riscos da IA na transformação de economias, sociedades e mercados de trabalho em países em desenvolvimento.

Os principais tópicos discutidos incluíram: o papel da IA na transformação do emprego, no desenvolvimento de habilidades e na proteção social no Sul Global; o valor do diálogo social e da negociação coletiva na criação de estratégias tecnológicas inclusivas; e recomendações de políticas enfatizando o investimento em setores subfinanciados, como a economia do cuidados e a economia verde, bem como a requalificação profissional para lidar com o deslocamento de trabalhadores e trabalhadoras.

A sessão foi moderada pela diretora do Escritório da OIT nas Nações Unidas em Nova York, Cynthia Samuel-Olonjuwon. Com base em sua liderança em políticas trabalhistas e sociais na África, ela enfatizou que "IA não se trata apenas de automação: trata-se de equidade, capacidades e trabalho decente. Por meio da cooperação Sul-Sul, podemos construir um futuro digital que não deixe ninguém para trás."

O painel contou com a participação do ministro-conselheiro da Missão Permanente do Brasil junto à ONU, José Gilberto Scandiucci, que refletiu sobre o papel de liderança do país no G20 e no BRICS, destacando a busca do Brasil por transições justas, proteção dos trabalhadores e governança inclusiva da IA. Ele enfatizou que a IA é um tema central do Grupo de Trabalho de Emprego do BRICS sob a presidência brasileira em 2025, bem como uma prioridade para a presidência sul-africana do G20.

O representante da Missão Permanente da Indonésia na ONU, Dwi Wisnu Budi Prabowo, destacou os esforços de seu país para promover a Cooperação Sul-Sul e Triangular, especialmente nas áreas de inclusão digital e capacitação. Ele observou que a IA representa uma transformação de dois gumes e pediu o fomento do diálogo entre múltiplas partes interessadas, políticas focadas no emprego e inovação inclusiva para garantir que ninguém fique para trás.

Participando de maneira remota, um representante da Organização Internacional dos Empregadores (OIE) reafirmou a participação do setor empresarial no debate sobre uma IA inclusiva e destacou a importância do diálogo social. A Confederação Sindical Internacional (CSI) também forneceu comentários chave desde a perspectiva dos trabalhadores.
Xiaojun Grace Wang, da UNOSSC, concluiu o evento destacando o poder do financiamento inovador e das parcerias para ampliar as soluções de CTI no Sul Global. Ela reiterou o apelo por normais internacionais de trabalho que abordem os desafios de inclusão relacionados à IA.

O evento foi concluído com recomendações políticas claras visando o fortalecimento da cooperação em governança de IA e equidade digital, e a renovação de parcerias entre governos, agências da ONU, academia e setor privado para apoiar a adoção sustentável de IA no Sul Global.

Espera-se que as lições aprendidas nesses fóruns, incluindo marcos políticos sobre empoderamento digital e uso responsável da IA, embasem recomendações futuras que visem alinhar a tecnologia à justiça social e às normas trabalhistas. Para os países do Sul Global, a cooperação Sul-Sul continua sendo não apenas uma ferramenta prática, mas também uma decisão política para a construção de futuros digitais inclusivos, centrados no trabalhadores e socialmente justos.

Ao fornecer uma plataforma para a troca de boas práticas e soluções baseadas em suas próprias experiências, a sessão organizada pela OIT permitiu que os países do Sul Global apresentassem recomendações e propostas de políticas adaptadas às suas necessidades e aos seus contextos específicos.

A participação da OIT na CSST e seu papel de liderança na promoção da justiça social e do trabalho decente fazem parte de sua estratégia geral para alavancar a cooperação Sul-Sul e alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Isso reflete o compromisso da OIT em fortalecer a solidariedade e a colaboração entre os países em desenvolvimento, bem como em melhorar a eficácia de seus programas e iniciativas, garantindo que estejam alinhados às necessidades e realidades dos países parceiros.