Reunião dos Ministros do Trabalho e Emprego do G20
OIT pede ao G20 para reduzir as desigualdades, promover a igualdade de gênero e incentivar a diversidade no mundo do trabalho
Sob a presidência do Brasil, os ministros e as ministras do Trabalho e Emprego do G20 concordaram com medidas abrangentes para enfrentar os desafios do mercado de trabalho global e promover o trabalho decente.
30 de julho de 2024
GENEBRA (Notícias da OIT) – O diretor-geral da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Gilbert F. Houngbo, instou os Ministros do Trabalho e Emprego do G20 a tomarem medidas decisivas para reduzir as desigualdades, promover a igualdade de gênero e incentivar a diversidade no local de trabalho.
Durante a reunião de alto nível, realizada pelo Brasil na cidade de Fortaleza nos dias 25 e 26 de julho, os ministros e as ministras concordaram com um conjunto abrangente de medidas para abordar os desafios do mercado de trabalho global, garantir transições justas e promover o trabalho decente. Eles e elas se comprometeram a criar empregos de qualidade, promover a inclusão social e eliminar a fome e a pobreza por meio de políticas sociais, econômicas e ambientais coordenadas.
"Em um mundo que enfrenta constantemente novos desafios e crises, torna-se cada dia mais claro que devemos acelerar os nossos esforços para tornar a justiça social uma realidade para todas as pessoas. Isto requer um conjunto de políticas sociais bem coordenadas, incluindo proteção e outras políticas para garantir a inclusão social", disse Houngbo aos ministros e às ministras.
Em seu discurso, o diretor-geral apresentou também o Portal de Política Social do G20 (G20 Social Policy Portal). O portal, que foi desenvolvido em colaboração com a Associação Internacional de Seguridade Social (ISSA), destaca a importância de sistemas universais de proteção social e de instituições fortes do mercado de trabalho para abordar as desigualdades e promover o desenvolvimento sustentável.
O diretor-geral também elogiou o lançamento da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza pela Presidência brasileira, afirmando que "aderir a esta Aliança não é apenas um imperativo moral, mas um passo crucial para a construção de um mundo de trabalho mais justo e sustentável".
Ao falar sobre o uso das tecnologias como meio de melhorar a qualidade de vida de todas as pessoas, a diretora-geral adjunta da OIT, Celeste Drake, enfatizou que aproveitar essas tecnologias no local de trabalho significa respeitar os princípios e direitos fundamentais no trabalho e incentivar o diálogo social.
Drake também anunciou o lançamento de um Observatório da OIT sobre IA e Trabalho na Economia Digital em setembro e uma próxima discussão em 2025 sobre definição de normas acerca do trabalho decente na economia de plataforma.
O diretor-geral também participou do Just Transition Leadership Forum, no qual destacou a importância da construção de caminhos de transição justa para alcançar trabalho decente e justiça social. O fórum enfatizou a necessidade urgente de líderes do G20, governos, empregadores e organizações de trabalhadores tomarem medidas conjuntas para abordar os impactos sociais das mudanças climáticas sobre os mercados de trabalho.
A igualdade de gênero também esteve na pauta das reuniões. Os ministros e as ministras presentes reafirmaram seu compromisso de reduzir a lacuna de gênero na participação no mercado de trabalho, em linha com a chamada Meta de Brisbane, que visa reduzir a lacuna de gênero nas taxas de participação no mercado de trabalho em 25% até 2025 e acelerar o progresso na igualdade de gênero.
“Olhando para o futuro, em direção à meta de Brisbane em 2025, os países devem continuar consolidando esforços para promover a igualdade de gênero e criar sociedades mais inclusivas e equitativas”, disse Celeste Drake, no evento paralelo da EPIC (Equal Pay International Coalition).
Em seus comentários, Drake destacou a necessidade de maior foco na melhoria da segurança de renda das mulheres, no enfrentamento das disparidades salariais de gênero e na melhoria das condições para o trabalho de cuidados remunerado.
Em sua Declaração de encerramento, os ministros e as ministras reconheceram o papel crítico das políticas de salários justos e de instituições robustas do mercado de trabalho no enfrentamento dos desafios globais de emprego. Eles e elas reafirmaram seu compromisso com a Agenda de Trabalho Decente da OIT, que abrange a criação de empregos, salários justos, direitos trabalhistas e proteção social.
A Declaração também tomou nota da Coalizão Global pela Justiça Social da OIT, que tem o potencial de acelerar os esforços para reduzir as desigualdades em todo o mundo.
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