Direitos Humanos

OIT participa do Seminário de Apresentação do Plano Juventude Negra Viva, organizado pelo Ministério da Igualdade Racial e Secretaria Geral da Presidência

Nas próximas semanas, a OIT e o Ministério de Igualdade Racial irão assinar um Memorando de Entendimento (MdE) para fomentar a cooperação técnica com o propósito de promover o trabalho decente, o combate ao racismo e a igualdade de condições e tratamento para pessoas negras no Brasil.

21 de novembro de 2023



Brasília - A Organização Internacional do Trabalho (OIT) participou nesta terça-feira (21) do Seminário de Apresentação do Plano Nacional da Juventude Negra Viva, organizado pelo Ministério de Igualdade Racial (MIR), em parceria com o Fundo de Populações das Nações Unidas (UNFPA), a OIT e a Secretaria Nacional de Juventude, da Secretaria Geral da Presidência.

O Plano Juventude Negra Viva tem como objetivo reduzir a violência letal e as vulnerabilidades sociais enfrentadas pela juventude negra, atuando de forma transversal com políticas de acesso à saúde, educação, cultura, geração de trabalho e renda, entre outras. Além do Grupo Interministerial (GTI), o Plano contou com a Caravana Participativa, que percorreu seis estados do país, Bahia, São Paulo, Pará, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte. A caravana possibilitou escuta ativa dos jovens e movimentos sociais, captando suas principais demandas.

O evento reuniu representantes parceiros e jovens que participaram das caravanas ao longo dos últimos meses. A mesa de abertura contou com a presença da Ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, da Secretária Executiva da Secretaria Geral da Presidência, Maria Fernanda Coelho', a Oficial Técnica em Princípios e Direitos Fundamentais no Trabalho para América Latina e Caribe da OIT, Thaís Dumêt Faria, a representante do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), Florbela Fernandes, o Secretário Nacional de Juventude, da Secretaria Geral da Presidência da República, Ronald Luiz dos Santos, a Secretária Adjunta da Secretaria Nacional de Juventude, da Secretaria Geral da Presidência da República, Jessy Dayane, a Secretária de Políticas de Ações Afirmativas, Combate e Superação do Racismo, Márcia Lima, o Diretor de Combate ao Racismo, Yuri Silva, a Secretária de Gestão do Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial (SENAPIR), Iêda Leal, a Deputada Federal do Paraná, Carol Dartora (PT) e o Deputado Federal, Henrique Vieira.

Na oportunidade, a mesa enfatizou a urgência do Plano e o impacto que as 200 ações futuras terão na vida da juventude negra brasileira. A ministra da igualdade racial, Anielle Franco, contou um pouco sobre o processo de delineamento do Plano e a importância de pensar sua transversalidade com outras políticas.


Foto: UNFPA Brasil/Thainá Kedzierski
“Quando a gente pensou o Juventude Negra Viva, a gente queria pensar em vários eixos. Mas o eixo principal era: como combater o genocídio da juventude negra e também levar outras coisas como educação, saúde, direito à vida digna? Então toda essa construção coletiva passa por ali.”, disse a ministra.

A Oficial Técnica em Princípios e Direitos Fundamentais no Trabalho para América Latina e Caribe da OIT, Thaís Dumêt Faria, destacou em sua fala o legado devastador do processo colonizador que deixou sequelas nas estruturas sociais, econômicas e políticas.

"Poderia aqui repetir os dados que escancaram a discriminação do país em todos os níveis, como a discrepância salarial entre pessoas brancas e negras chega a 27%, o fato de que pessoas negras ocupam apenas 6,3% dos cargos gerenciais e menos de 5% das posições, ou que executivas ou os jovens negros seguem sendo mortos. Nós entendemos que somente garantindo a participação de pessoas negras em todos os espaços e em locais de decisão, vamos mudar a lógica e quebrar a estrutura que baseia o racismo no Brasil.", disse a oficial técnica da OIT.

"A OIT vai seguir trabalhando interna e externamente. Nós somos uma organização com mais de 100 anos e temos também muito a avançar. Mas assumimos a responsabilidade de manter os olhos abertos, as portas abertas e trabalhar com vocês.", acrescentou, ao falar diretamente à juventude.

Nas próximas semana, a OIT e o Ministério de Igualdade Racial irão assinar um Memorando de Entendimento (MdE) para fomentar a cooperação técnica com o propósito de promover o trabalho decente para pessoas negras e o combate ao racismo no Brasil.

A programação do Seminário teve como principais discussões o enfrentamento da letalidade, a construção de diagnóstico das políticas públicas para juventude negra para atuar no combate direto ao racismo estrutural e o direito ao trabalho. Além de abrir espaço para que os jovens compartilhassem suas experiências nas caravanas e suas realidades enquanto jovens negros dos diferentes estados do país.

A OIT apoiou a realização do Seminário por meio do suporte ao desenvolvimento do material de comunicação, de logística, além de viabilizar a viagem de 10 jovens que participaram do evento.

(Com informações da Ascom do MIR)