As desigualdades entre homens e mulheres no emprego são maiores do que se pensava, segundo uma nova nota síntese da OIT
7 de março de 2023
Um novo indicador desenvolvido pela Organização Internacional do Trabalho constata que o acesso das mulheres ao emprego, as condições de trabalho e as diferenças salariais praticamente não registaram melhorias nas últimas duas décadas
As desigualdades entre homens e mulheres no acesso ao emprego e às condições de trabalho são maiores do que anteriormente se pensava e os progressos na sua redução têm sido dececionantemente lentos nas últimas duas décadas, de acordo com um novo estudo da OIT.
Um novo indicador desenvolvido pela OIT, déficit de empregos [Jobs Gap], regista todas as pessoas sem emprego e que desejam encontrar um emprego. Apresenta um quadro muito mais sombrio da situação das mulheres no mundo do trabalho do que a taxa de desemprego mais comummente utilizada. Os novos dados mostram que as mulheres ainda enfrentam muito mais dificuldades para encontrar um emprego do que os homens.
De acordo com a nota síntese: «Novos dados evidenciam as disparidades de género no mercado de trabalho» [New data shine light on gender gaps in the labour market], 15 por cento das mulheres em idade ativa a nível global gostariam de trabalhar mas não têm emprego, em comparação com 10,5 por cento dos homens. Esta diferença permaneceu quase inalterada durante duas décadas (2005-2022). Em contrapartida, as taxas globais de desemprego para mulheres e homens são muito semelhantes, porque os critérios utilizados para definir o desemprego tendem a excluir as mulheres de forma desproporcionada.
Os déficit de empregos são particularmente graves nos países em desenvolvimento onde a proporção de mulheres que não conseguem encontrar um emprego chega aos 24,9 por cento nos países de baixos rendimentos. A taxa correspondente para os homens é de 16,6 por cento, um nível preocupantemente elevado mas significativamente mais baixo do que o das mulheres.
O estudo salienta que as responsabilidades pessoais e familiares, incluindo o trabalho de cuidados não remunerados, afetam as mulheres de forma desproporcionada. Estas atividades podem impedi-las não só de terem um emprego, mas também de procurarem ativamente emprego ou de estarem disponíveis para trabalhar a curto prazo. É necessário cumprir estes critérios para serem consideradas desempregadas, pelo que muitas mulheres que necessitam de um emprego não estão refletidas nos números do desemprego.
As diferenças entre homens e mulheres em matéria de trabalho digno não se limitam ao acesso ao emprego. Embora o emprego vulnerável seja generalizado tanto para mulheres como para homens, as mulheres tendem a estar sobrerepresentadas em certos tipos de empregos vulneráveis. Por exemplo, é mais provável que as mulheres estejam a ajudar nas suas famílias ou nos negócios dos seus familiares do que no trabalho por conta própria.
Esta vulnerabilidade, associada a taxas de emprego mais baixas, tem um custo para os rendimentos das mulheres. A nível global, por cada dólar de rendimento do trabalho que os homens auferem, as mulheres recebem apenas 51 cêntimos.
Segundo o estudo existem diferenças significativas entre regiões. Em países de rendimento baixo e médio-baixo, a diferença entre homens e mulheres nos rendimentos do trabalho é muito maior, com as mulheres a auferirem 33 cêntimos e 29 cêntimos, respetivamente. Nos países de rendimento alto e médio-alto, o rendimento relativo do trabalho realizado pelas mulheres atinge 58 e 56 cêntimos, respetivamente. Esta surpreendente disparidade nos rendimentos é explicada quer pelo nível mais baixo de emprego das mulheres, quer pelo seu rendimento médio inferior quando estão empregadas.
As novas estimativas evidenciam a magnitude das diferenças entre homens e mulheres nos mercados de trabalho, sublinhando a importância de melhorar a participação global das mulheres no emprego, de alargar o seu acesso a todas as profissões e de colmatar as flagrantes lacunas na qualidade do emprego que as mulheres enfrentam.
As desigualdades entre homens e mulheres no acesso ao emprego e às condições de trabalho são maiores do que anteriormente se pensava e os progressos na sua redução têm sido dececionantemente lentos nas últimas duas décadas, de acordo com um novo estudo da OIT.
Um novo indicador desenvolvido pela OIT, déficit de empregos [Jobs Gap], regista todas as pessoas sem emprego e que desejam encontrar um emprego. Apresenta um quadro muito mais sombrio da situação das mulheres no mundo do trabalho do que a taxa de desemprego mais comummente utilizada. Os novos dados mostram que as mulheres ainda enfrentam muito mais dificuldades para encontrar um emprego do que os homens.
De acordo com a nota síntese: «Novos dados evidenciam as disparidades de género no mercado de trabalho» [New data shine light on gender gaps in the labour market], 15 por cento das mulheres em idade ativa a nível global gostariam de trabalhar mas não têm emprego, em comparação com 10,5 por cento dos homens. Esta diferença permaneceu quase inalterada durante duas décadas (2005-2022). Em contrapartida, as taxas globais de desemprego para mulheres e homens são muito semelhantes, porque os critérios utilizados para definir o desemprego tendem a excluir as mulheres de forma desproporcionada.
Os déficit de empregos são particularmente graves nos países em desenvolvimento onde a proporção de mulheres que não conseguem encontrar um emprego chega aos 24,9 por cento nos países de baixos rendimentos. A taxa correspondente para os homens é de 16,6 por cento, um nível preocupantemente elevado mas significativamente mais baixo do que o das mulheres.
O estudo salienta que as responsabilidades pessoais e familiares, incluindo o trabalho de cuidados não remunerados, afetam as mulheres de forma desproporcionada. Estas atividades podem impedi-las não só de terem um emprego, mas também de procurarem ativamente emprego ou de estarem disponíveis para trabalhar a curto prazo. É necessário cumprir estes critérios para serem consideradas desempregadas, pelo que muitas mulheres que necessitam de um emprego não estão refletidas nos números do desemprego.
As diferenças entre homens e mulheres em matéria de trabalho digno não se limitam ao acesso ao emprego. Embora o emprego vulnerável seja generalizado tanto para mulheres como para homens, as mulheres tendem a estar sobrerepresentadas em certos tipos de empregos vulneráveis. Por exemplo, é mais provável que as mulheres estejam a ajudar nas suas famílias ou nos negócios dos seus familiares do que no trabalho por conta própria.
Esta vulnerabilidade, associada a taxas de emprego mais baixas, tem um custo para os rendimentos das mulheres. A nível global, por cada dólar de rendimento do trabalho que os homens auferem, as mulheres recebem apenas 51 cêntimos.
Segundo o estudo existem diferenças significativas entre regiões. Em países de rendimento baixo e médio-baixo, a diferença entre homens e mulheres nos rendimentos do trabalho é muito maior, com as mulheres a auferirem 33 cêntimos e 29 cêntimos, respetivamente. Nos países de rendimento alto e médio-alto, o rendimento relativo do trabalho realizado pelas mulheres atinge 58 e 56 cêntimos, respetivamente. Esta surpreendente disparidade nos rendimentos é explicada quer pelo nível mais baixo de emprego das mulheres, quer pelo seu rendimento médio inferior quando estão empregadas.
As novas estimativas evidenciam a magnitude das diferenças entre homens e mulheres nos mercados de trabalho, sublinhando a importância de melhorar a participação global das mulheres no emprego, de alargar o seu acesso a todas as profissões e de colmatar as flagrantes lacunas na qualidade do emprego que as mulheres enfrentam.