Discurso da diretora Regional da OIT para América Latina e Caribe na abertura da II Conferência Nacional do Trabalho
Discurso proferido pela diretora da OIT para América Latina e Caribe, Ana Virgínia Moreira Gomes, na sessão solene da II Conferência Nacional do Trabalho (II CNT), realizada no dia 3 de março de 2026, em São Paulo.
4 de março de 2026
Excelentíssimo Senhor Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva,
Excelentíssimo Senhor Ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho,
Distintos representantes de governos, de organizações de trabalhadores e de empregadores,
É uma honra e um privilégio participar, em nome da Organização Internacional do Trabalho (OIT), deste momento histórico.
Celebramos hoje a conclusão de um processo exemplar de diálogo social tripartite, que mobilizou milhares de vozes em todos os estados brasileiros e no Distrito Federal.
Gostaria de parabenizar o Ministério do Trabalho e Emprego pela condução deste processo e expressar um agradecimento especial às lideranças de trabalhadores e de empregadores.
O sucesso desta conferência só foi possível graças à maturidade, ao compromisso e à disposição de vocês em sentar à mesa e construir soluções conjuntas. O engajamento das confederações patronais e das centrais sindicais é o que dá legitimidade e força real a este processo.
Os números desta conferência traduzem sua magnitude: quase 3 mil delegados e delegadas participaram das diversas etapas, envolvendo diretamente cerca de 4.500 pessoas.
O resultado — um conjunto de 386 propostas de políticas públicas — é a prova viva da relevância e do alcance deste debate.
O diálogo social está no DNA da OIT. Ele é mais do que um método; é um pilar do Estado Democrático. Defendemos o diálogo como a ferramenta essencial para fortalecer democracias, promover a coesão social e construir consensos, especialmente em tempos de transição.
Vivemos um momento em que este diálogo se torna imperativo. Ele é a chave para superarmos problemas estruturais persistentes, como o trabalho infantil e o trabalho análogo ao de escravo, mas também para navegarmos as águas profundas das transformações do século XXI: as transições tecnológica, ambiental e demográfica.
Neste cenário, gostaria de destacar a liderança do Presidente Lula, que combina de maneira profundamente coerente o seu protagonismo internacional na defesa do trabalho decente e da justiça social com o exemplo prático da implementação dessas políticas em solo nacional. Essa harmonia entre o discurso global e a ação local reafirma o compromisso do Brasil como uma referência ética e política para o mundo do trabalho.
Vemos essa liderança refletida no sucesso da COP 30 e seus avanços na transição justa, bem como na condução histórica das cúpulas do G20 e do BRICS.
Expressamos nosso profundo apreço pela atuação brasileira na Co-presidência da Coalizão Global pela Justiça Social, na EPIC (Coalizão Internacional para a Igualdade Salarial) e na Aliança 8.7 para erradicação do trabalho infantil e trabalho escravo.
Um exemplo concreto da força dessa articulação é a presença, neste recinto, de delegações de sete nações parceiras: Angola, Cabo Verde, Paraguai, Peru e Uruguai — representados de forma tripartite — além de colegas da Alemanha e da Espanha. Sejam muito bem-vindos a este intercâmbio de experiências.
Que esta Conferência seja o marco para consolidarmos a Agenda Nacional de Trabalho Decente. Reitero que a OIT continua sendo sua parceira fiel na implementação dos resultados desta II CNT.
Desejo a todas e todos uma excelente jornada de trabalho.
Muito obrigada.