#MigrantesEnAcción

OIT destaca o trabalho de migrantes venezuelanos na linha de frente contra a COVID-19 na América Latina

A pandemia pôs ainda mais em evidência o papel que pessoas migrantes e refugiadas desempenham como atores do desenvolvimento e trabalhadores essenciais na região. A OIT, em colaboração com a Plataforma R4V, organizou um debate virtual para apresentar dois relatórios sobre o tema no setor de saúde e plataformas digitais de entregas.

Notícias | 24 de Maio de 2021
Lima - A contribuição que as pessoas refugiadas e migrantes venezuelanas fornecem diariamente com seu trabalho na linha de frente contra a COVID-19 desempenha um papel fundamental nas economias dos países latino-americanos, embora elas realizem seu trabalho em condições pouco favoráveis, destacou o Escritório Regional da OIT hoje.

“Os trabalhadores migrantes e refugiados, longe de serem ‘ vulneráveis ‘”, têm sido pilares das economias da região desde o início da pandemia”, disse o diretor da OIT para a América Latina e Caribe, Vinícius Pinheiro, no início de um encontro regional virtual convocado sob o slogan #MigrantesEmAção

O evento foi realizado por ocasião do lançamento de dois estudos da OIT, em colaboração com a Plataforma R4V, sobre a contribuição de trabalhadores refugiados e migrantes venezuelanos no setor de saúde e plataformas de entrega em países da região em tempos de pandemia.

Embora muitos deles tenham trabalhado na linha de frente, e não de forma virtual, mas presencialmente em diversos setores da economia, ainda há um alto percentual que se encontra em situação de vulnerabilidade no trabalho, acrescentou o conteúdo da análise da OIT divulgada em dois documentos.

O primeiro estudo intitulado "A contribuição dos refugiados e migrantes venezuelanos frente à pandemia da COVID-19 nos serviços essenciais de saúde" ( “El aporte de las personas refugiadas y migrantes venezolanas frente a la pandemia de la COVID-19 en los servicios esenciales de salud”) busca tornar visível a contribuição deste corpo de profissionais de saúde venezuelanos no combate à COVID-19 na Argentina, no Brasil, na Colômbia , no Chile, no México e no Peru.

O segundo, "A contribuição de refugiados e migrantes venezuelanos em serviços de entrega de alimentos e medicamentos essenciais durante a pandemia da COVID-19" (“El aporte de las personas refugiadas y migrantes venezolanas en los servicios esenciales de reparto de comida y medicina durante la pandemia de la COVID-19”) busca identificar a contribuição de profissionais venezuelanos dedicados ao serviço de entrega de alimentos e medicamentos por meio de plataformas digitais em tempos de pandemia na Argentina, Colômbia e Peru.

A conversa virtual contou com a participação de Diego Beltrand, enviado especial do diretor-geral da OIM para os Fluxos de Migrantes Venezuelanos, William Spindler, porta-voz do ACNUR para as Américas, Joseph Guevara, médico venezuelano radicado no Peru, e Ahyskel Brando, que trabalha em uma empresa venezuelana de entrega de alimentos com sede no Peru.

Durante a reunião, que foi moderada por Pilin León da Coalizão pela Venezuela, foi exibida uma série de mini-vídeos com depoimentos de trabalhadores migrantes venezuelanos e refugiados em diferentes países da região.

O primeiro estudo preparado pelo Escritório Regional da OIT revelou que apenas 52% dos profissionais de saúde venezuelanos na América Latina exercem sua profissão e a maioria foi contratada por causa da pandemia. Os dados foram obtidos a partir de uma pesquisa com 772 homens e mulheres venezuelanos que atuam na área de saúde na Argentina, no Brasil, na Colômbia, no Chile, no México e no Peru.

“A pandemia da COVID-19 permitiu a contratação de profissionais de saúde da Venezuela nos sistemas de saúde dos países anfitriões, ajudando a proteger, detectar os pacientes infectados com o vírus e prestar seus cuidados médicos”, destaca o documento.

Porém, a análise da OIT também revelou excesso de trabalho por parte desses profissionais, com média de 48 horas semanais trabalhadas, e em condições que não correspondem a um trabalho decente: apenas 10% possuem seguro de vida em caso de invalidez ou morte por COVID-19.

Com relação ao segundo estudo, apesar do fato de que, durante a pandemia, a prestação de serviços de entrega de alimentos e medicamentos se tornou uma oportunidade de emprego para a população migrante venezuelana, a análise da OIT destacou a complexa situação trabalhista em que vivem nos países de acolhimento.

Na Colômbia e no Peru, menos de 30% dos venezuelanos entrevistados que realiza o serviço de entrega de alimentos e remédios por meio de plataformas digitais têm seguro contra acidentes e menos de 20% têm seguro saúde. Na Argentina, 58% não têm seguro saúde.

A OIT destaca as seguintes recomendações para promover a integração socioeconômica e o acesso ao trabalho decente para trabalhadores migrantes e refugiados venezuelanos:
  • Implementar um sistema de informação que identifique profissionais de saúde migrantes;
  • Fortalecer os espaços de diálogo e articulação entre as instituições envolvidas nesses processos;
  • Criar um cadastro de venezuelanos que se dedicam ao serviço de entrega de alimentos e medicamentos;
  • Estabelecer acesso a mecanismos de proteção social para que tenham seguro saúde e previdência