Manifesto digital do MPT, OIT e Unicamp mobiliza artistas no combate ao trabalho escravo no Brasil

Com lançamento no Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo, em 28 de janeiro, ação online faz parte da ampla iniciativa "Trabalho Escravo Nunca Mais”, que busca também promover o trabalho decente e a inclusão de grupos vulneráveis na indústria da moda nacional.

Notícias | 28 de Janeiro de 2021
A iniciativa "Trabalho Escravo Nunca Mais” busca também promover o trabalho decente e a inclusão de grupos vulneráveis na indústria da moda nacional.
Brasília – No Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo, em 28 de janeiro, o Ministério Público do Trabalho (MPT), a Organização Internacional do Trabalho (OIT) e a Universidade de Campinas (Unicamp) lançam o manifesto online “Trabalho Escravo Nunca Mais ", com a participação de artistas e ativistas para conscientizar a sociedade sobre o combate ao trabalho escravo no Brasil.

Em seus perfis no Instagram, personalidades como Wagner Moura, Daniela Mercury, Dira Paes e Paola Carosella, publicarão mensagens de apoio ao manifesto digital, divulgando a hashtag #somoslivres e orientando sobre os canais de denúncias: o site do MPT; o App MPT Pardal; o Disque 100 ou 180; e o Sistema Ipê.

O objetivo da iniciativa "Trabalho Escravo Nunca Mais" é promover o trabalho decente e a inclusão de grupos vulneráveis na indústria da moda nacional. Além da mobilização online, o projeto inclui a formação profissional em design de moda para pessoas que estavam em situação de trabalho escravo. Também conta com a participação de renomados profissionais do mundo da moda, como os estilistas Reinaldo Lourenço e Yan Acioli, e ações com empresas da área para promover a inclusão de grupos em situação de vulnerabilidade socioeconômica.

“O trabalho escravo transforma o ser humano em mercadoria e é instrumento utilizado por várias empresas para obter lucros às custas de sangue e dor, gerando uma concorrência desleal” afirmou o procurador do trabalho do MPT, Dr. Gustavo Accioly.

Escravidão contemporânea


O trabalho escravo é um crime e uma grave violação dos direitos humanos. Milhares de pessoas, nas zonas urbanas e rurais, ainda são exploradas, por meio do trabalho forçado, da servidão por dívida, da submissão a condições degradantes de trabalho e de jornadas exaustivas.

No Brasil, entre 1995 e 2020, mais de 55 mil pessoas foram resgatadas de condições de trabalho análogas ao escravo, por meio de operações de fiscalização. Uma das formas de trabalho escravo é o tráfico de pessoas, dentro do país ou envolvendo outros países.

Em todo o mundo, mais de 25 milhões de pessoas, incluindo mulheres e crianças, são vítimas do trabalho análogo à escravidão. Dados globais da OIT mostram que essa prática gera U$ 150,2 bilhões anuais em lucros ilegais. A pandemia da COVID-19 só tende a agravar esse cenário, com o aumento do desemprego, da desigualdade e da pobreza.

“Os efeitos da crise, causada pela pandemia, impactam de forma ainda mais severa migrantes, refugiados (as), negras (os), pessoas com empregos menos protegidos, que trabalham em condições de informalidade ou se encontram em situação de exclusão socioeconômica. Dessa forma, é fundamental promover ações que possam minimizar os efeitos excludentes da crise e que promovam inclusão e trabalho decente para todas as pessoas, prevenindo situações de trabalho escravo e outras explorações laborais”, disse Thais Dumêt Faria, oficial técnica em Princípios e Direitos Fundamentais no Trabalho para América Latina e Caribe da OIT.

Capacitação, diversidade e inclusão no mundo da moda



A iniciativa "Trabalho Escravo Nunca Mais” é composta por três etapas. O ponto de partida é o manifesto online. Para a ocasião, o designer Eugênio Santos criou uma camisa especial, que foi confeccionada por pessoas que foram vítimas de trabalho escravo e apresenta os rostos de imigrantes e refugiados retratados pelo renomado fotógrafo Guilherme Licurgo.  

Paralelamente, a segunda etapa do projeto promove a capacitação profissional em moda, visando a inserção no mercado de trabalho formal de 20 pessoas vítimas deste crime. Para isso, um curso em design de moda está sendo ministrado por dois dos mais influentes estilistas do país, Reinaldo Lourenço e Yan Acioli. Os(as) alunos(as) produzirão 40 looks com auxílio de profissionais reconhecidos(as) na área como Jeff Benicio, Patricia Martins e Eumira Silva.

As peças serão apresentadas em um desfile de moda fechado, que acontecerá no Museu da Imigração do Estado de São Paulo no início de março e contará com a trilha sonora assinada pelo DJ Zé Pedro. A gravação do desfile será transmitida na plataforma da revista Elle no dia 8 de março. O curso de moda e o desfile obedecem às regras de proteção, saúde e segurança, e distanciamento preconizadas pelos Governos Federal e do Estado de São Paulo e pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Na terceira etapa, a revista Elle publicará um editorial sobre trabalho escravo e assinará a curadoria de talks, com uma série de ações virtuais com a participação de convidadas(os) para debater temas como inserção, equidade, economia criativa, indústria e futuro da moda.

Sobre a data

O Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo foi criado em 2009, em homenagem aos auditores fiscais do Trabalho Erastóstenes de Almeida Gonçalves, João Batista Soares Lage e Nelson José da Silva e ao motorista Ailton Pereira de Oliveira, assassinados em 28 de janeiro de 2004, durante uma inspeção em fazendas em Unaí, Minas Gerais.