América Latina e Caribe: Primeiro de maio em confinamento

América Latina e Caribe: Primeiro de maio em confinamento

Quase metade das(os) trabalhadoras(es) da região vê seus meios de subsistência ameaçados, enquanto a perda de horas de trabalho é equivalente ao desaparecimento de 31 milhões de empregos em período integral, na véspera de um Dia Internacional do Trabalhador marcado pelo desafio de COVID-19.

Notícias | 30 de Abril de 2020

Lima - Uma enorme queda nas horas de trabalho equivalente a 31 milhões de empregos e o risco de perda de renda que atinge mais de 140 milhões de pessoas na força de trabalho formam um quadro sombrio e desafiador para uma América Latina e o Caribe, que se prepara para comemorar um 1º de maio atípico, sob medidas de confinamento para conter a pandemia de COVID-19.

Comparado à situação anterior à chegada da pandemia na região, um novo relatório da OIT destaca que 10,5% das horas de trabalho foram perdidas na América Latina e no Caribe até o segundo trimestre do ano. Isso equivale a entre 25 e 31 milhões de empregos em período integral.

Os novos dados sobre a região constam na terceira edição “Monitor OIT: COVID-19 e o mundo do trabalho” (em inglês), divulgado nesta semana.

O indicador da perda de horas de trabalho "apresenta uma deterioração significativa", destacou o relatório, que esclarece que se trata de um dado com impacto geral no emprego, e não no desemprego. O documento também aborda a situação das pessoas empregadas em condições informais e o impacto da crise sobre sua renda.

Na América Latina e no Caribe, cerca de 158 milhões de pessoas que trabalham em condições de informalidade, o equivalente a 54% do total do emprego, teriam sua renda reduzida em até 81%, uma proporção bem acima da medida global de 60%, segundo os dados coletados no âmbito da preparação do relatório.

Além disso, o relatório estima que na região, correm alto risco de perder os meios de subsistência devido a restrições à atividade econômica cerca de 89% das(os) trabalhadoras(es) informais, aproximadamente 140 milhões de pessoas ou quase metade da força de trabalho regional total.

"Um inimigo invisível afetou os mercados de trabalho da região e expôs os problemas de instabilidade no emprego, baixa renda, precariedade e pouca ou nenhuma proteção que implica o trabalho em condições de informalidade", disse Vinícius Pinheiro, diretor regional da OIT para a América Latina e o Caribe.

O relatório global da OIT também apresenta dados sobre os efeitos da pandemia sobre as empresas. O estudo mostra que, em todo o mundo, cerca de 436 milhões de empresas de vários tamanhos nos setores econômicos mais afetados "enfrentam um alto risco de sofrer choques graves".

“Nunca antes os mercados de trabalho da América Latina e do Caribe enfrentaram um desafio dessa magnitude, teremos que reconstruir o mundo do trabalho, o que implica tomar medidas para restaurar uma rede que inclua o emprego, a renda e as empresas ", disse o diretor regional da OIT.

O novo relatório da OIT apresenta uma série de recomendações sobre o tipo de medidas a serem implementadas para proteger empresas e empregos e atribui importância fundamental às medidas de proteção social que podem apoiar a população mais vulnerável e, portanto, conter o risco de colapso socioeconômico.

Pinheiro também destacou que será necessário levar em consideração as medidas de segurança e saúde no trabalho como elemento central. Ele afirmou que o local de trabalho "se tornou o território onde uma das batalhas mais decisivas contra a pandemia está sendo travada".

"O local de trabalho como o conhecíamos não existe mais", disse ele durante uma conferência sobre o tema realizada nesta semana, na qual foi destacada a questão da segurança e saúde no local de trabalha foi central durante a emergência, no caso dos setores que continuaram operando, e será ainda mais relevante quando as atividades produtivas forem reabertas.

“A superação da pandemia e a prevenção de novos surtos quando houver a reativação da economia dependerão do sucesso que tivermos na aplicação de medidas de saúde e segurança no trabalho”, acrescentou.

Por outro lado, ele ressaltou que os países da região também devem enfrentar o desafio de encontrar formas de diálogo social com a participação de governos, empregadores e trabalhadores.

"É importante que estejamos todos na mesma mesa, para que as medidas e as estratégias tenham viabilidade política e sustentabilidade".