<<volver
al index
5. Pela Expansão da Educação
e da Formação Profissional como Políticas Públicas em contraposição
à Lógica da Desregulamentação e da Privatização
A proposta do governo, em contradição com os princípios democráticos,
orienta-se no sentido da crescente desobrigação do Estado com a educação
tecnológica, impedindo a expansão do sistema federal e criando as condições
jurídicas para privatizá-lo; permite o repasse de verbas públicas para
instituições privadas; cria modalidades de ensino que dissociam a educação
geral da educação profissional e, em certos casos, prescindem da educação
básica.
O Programa de Formação Profissional - Planfor - que, de forma complementar,
está sendo desenvolvido pela Secretaria Nacional de Formação Profissional
(Sefor), do MTb, no qual se inclui o plano de qualificação e requalificação
profissional, financiado com os recursos do FAT e dirigido aos trabalhadores
desempregados e/ou em risco de desemprego, orienta-se por essa diretriz.
Claramente integrado às demais medidas do governo FHC na esfera educacional,
o Planfor se sustenta em pressupostos extremamente polêmicos: a necessidade
generalizada, pelo setor produtivo, do trabalhador polivalente e participativo,
desconhecendo a enorme diferenciação na organização do trabalho, mesmo
nas empresas de produção flexível; reconhece a existência do desemprego
crescente e da segmentação do mercado de trabalho, mas isso é entendido
apenas como decorrência das transformações tecnológicas e atribuído
aos baixos níveis de escolaridade da população trabalhadora, que acaba
sendo responsabilizada pela sua "empregabilidade". Em resumo,
os documentos programáticos da Sefor naturalizam a centralidade do mercado
e o quadro de exclusão social produzido pelo desemprego estrutural e
tecnológico.
O Centro de Educação Profissional proposto pelo governo, com a justificativa
de evitar, de um lado, a "burocratização" e, de outro, a "duplicação
de esforços", constitui uma rede "descentralizada porém articulada"
de instituições públicas (ETS, Cefets, universidades, etc) e privadas
(em especial, as escolas do Senai, Senac, Senat, Senar). Trata-se, na
verdade, da constituição das escolas técnicas em Centros Federais de
Educação Tecnológica administrados em parcerias que se responsabilizarão
pela sua manutenção. De acordo com o MEC, no documento sobre o Planejamento
Político Estratégico 95/98, no caso dos cursos profissionalizantes,
"o eixo das articulações se voltará para as instituições de formação
profissional (Senai, Senac, Senat e Senar).
É importante frisar que a Sefor/MTE e, depois, o MEC, afirmando incorporar
a proposta de Centro Público de Formação Profissional elaborada pelos
movimentos popular e sindical (Fórum do Ensino Profissional) e pela
CUT, construíram outra proposta que, da original, só manteve (astuciosamente)
o nome. A CUT reafirma a bandeira dos Centros Públicos
concebidos pelos movimentos popular e sindical e sua firme disposição
de lutar em sua defesa.
A atuação da CUT na educação profissional não pode e não deve substituir
o sistema regular de ensino ou a obrigação do Estado em garantir educação
pública, gratuita, laica, unitária e de qualidade para toda a população.
A CUT reafirma esses princípios e sua disposição de luta para garanti-los.
Suas ações nesse campo devem propiciar e aprofundar a contraposição
sindical cutista ao modelo social excludente implementado pelo governo,
cujo recorte neoliberal traz a centralidade da educação como um dos
meios para legitimar a desregulamentação dos direitos dos trabalhadores.
