Em busca de um sistema público de emprego integrado: os desafios
e a agenda do próximo período
Seguro-desemprego, Proger, requalificação profissional, intermediação,
pesquisa e informação: tais são as peças do sistema que buscamos construir.
Encontram-se ainda frágeis, mas em franco fortalecimento. Esses programas,
contudo, ainda estão longe de se constituir em um sistema, dada a desintegração
em que operam. Fundamental, portanto, para o próximo período, ao longo
do qual a bancada dos trabalhadores, assumindo a presidência do Codefat,
desempenhará papel central, é desenhar a integração dessas partes. É
preciso fortalecê-las, cada uma delas (buscando, por exemplo, atingir
a meta de R$ 10 bilhões para as linhas de financiamento do Proger, e
a meta de 4 milhões de treinando com gastos de R$ 1 bilhão nos programas
de requalificação), mas principalmente buscando alavancar sua sinergia.
E, para tal, o instrumento básico são as comissões estaduais e municipais
e a ação direta da sociedade civil organizada: somente dessa forma,
descentralizada e democrática, alcançaremos um modelo capaz de assemelhar-se
ao construído nos países desenvolvidos há tanto tempo.
É óbvio que, ainda que ambiciosas, tais metas revelam-se limitadas
se contrastadas com o ambiente francamente adverso em que hoje se vê
imerso o mundo do trabalho. Cabe ressaltar, portanto, mais uma vez,
que tais políticas de emprego devem estar em consonância com as demais
políticas públicas, em todos os âmbitos: política industrial, política
de comércio exterior, política agrícola e agrária, política fiscal,
políticas de redistribuição de renda etc. Essa convergência decisiva,
em prol da propulsão do crescimento econômico e da democratização das
políticas públicas, encontra-se hoje longe da agenda do governo, mais
preocupado em responder ao canto da sereia da globalização e das políticas
neoliberais. Mas, ainda assim, o esforço despendido para a gestação
do Sistema Público de Emprego terá se revelado proveitoso à medida que
proporciona canais fundamentais através dos quais a demanda por democracia
e crescimento poderá fluir e contribuir para colocar em xeque o modelo
atualmente em vigor.
