Checa, H. Martin. A renovação da educação profissional.
SENAI Brasil, Brasília, v.9, n. 47, may-jun.2000. p.12
Nos países onde o principal caminho para a certificação é a educação
profissional, a reforma do modelo de educação profissional e o aumento
de sua qualidade e valor social têm sido vistos como os objetivos prioritários
do desenvolvimento de sistemas de certificação profisssional baseada
en competências. As possibilidades de êxito desse esforço dependem,
em grande parte, da capacidade das instituições inovarem em suas propostas
de desenhos curriculares e em seus métodos de ensino-aprendizagem.
Segundo informe do Centro Europeu para o Desenvolvimento da Formação
Profissional (CECEFOP), intitulado "Formação para uma Sociedade
em Mudança" (1998), é consensual a necesssidade de de desenhar
currículos flexíveis e modularizados que permitam às pessoas acumular
créditos capitalizáveis (con vistas à formação profissional), que facilitem
a entrada e a saída de itinerários formativos, e que possam ser atualizados
como a agilidade requerida pelo dinamismo do mundo do trabalho.
Há igual consenso quanto a introduzir-se nos currículos as competências
de gestão, ao lado das competências básicas e específicas, visto constituírem-se
na via essencial para adquisição da capacidade de resolver os problemas
passíveis de surgir no âmbito do trabalho. Tais competências tranversais
ou transferíveis (pois transcendem os contextos profissionais particulares)
são consideradas fundamentais para que as pessoas seiam capazes
de trabalhar em contextos de trabalho imprevistos e cambiantes.
A forma como se introduzir as competências nos currículos tem sido
objeto de amplo debate. Nos anos 80, os currículos eram desenhados
de modo a incluir uma fase inicial composta pelos conhecimientos técnicos
comuns a uma área ou a uma família profissional, a quel era sucedida
pelas unidades consitituídas por conhecimentos técnicos de cunho propriamente
especializado. Na actualidade, tende-se a privilegiar o desenho
de currículos integradores, sob o ponto de vista sistêmico, nos quais
a base de conhecimentos comuns à área ou à familia profissional é adquirida
paralelamente às competências específicas. Algo similar ocorreu
com as competências de gestão, que eram tratadas em unidades ou módulos
particulares e passaram a ser contempladas de forma global, em todas
as unidades do currículo. Nessa direção, uma proposta que vem
se destacando é a da inclusão, no desenho currirular, de uma fase de
formação prática em empresas (formação en alternância), que ofereça
aos alunos a oportunidade de adquirirem competências e experimentá-las
em situações reais de trabalho.
No que tange aos Métodos de ensino-apredizagem, aposta-se
em metodologias que considerem o caráter integral da competência profissional
(a mobilização conjunta de suas dimensões básica, técnica e de gestão)
e que utilizem estratégias para fomentar a capacidade de aluno aprender
tanto por conta própria quanto en cooperação. Nesse sentido, experimentou-se
una transição dos sistemas de ensino-aprendizagem tradicionais para
os contrutivistas, onde o conhecimento é individualmente construído
por meio da resolução de problemas.
É igualmente fundamental atentar para o impacto das novas tecnologias
de informação e comunicação (multimídia, hipertexto, internet, intranet)
sobre o processo de ensino-aprendizagem. Percebe-se que, por un
lado, flexibilizam o âmbito formativo (espaço, tempo, conteúdos, etc.),
personalizando a formação e favorecendo a aprendizagem autoridigida,
impondo au aluno a necessidade de desenvolver estratégias para selecionar,
gerir e produzir conhecimento. Por outro lado, elas abrem caminho,
para uma forma social de aprendizagem - aluno no interior de
uma rede - que propicia "interações parassociais"
sobre cujos efeitos possuímos apenas dados insuficientes.
A discussão é bastante complexa e a questão central permanece: como
desenvolver currículos e métodos de ensino-aprendizagem coerentes com
a lógica da certificação por competências, e que promovam uma educação
profissional flexível, ágil e criativa? A resposta é uma só - não há
solução única. Cumpre investigar, experimentar... e estarmos cientes
de que o conhecimento apenas é construído nas situações em que corremos
o risco de equivocarmo-nos. Ousar é preciso.