Moraes, Eunice Léa de. Relação
gênero e raça na política pública de qualificação
social e profissional. Brasília: MTE, SPPE. DEQ, 2005. 39 p.
Construindo identidades sociais; v. 1. Coleção
Qualificação Social e Profissional

Introdução
As relações de gênero e raça,
historicamente, têm um elo de ligação com a questão
da cidadania. A reemergência dos movimentos sociais, a partir
de fins da década de 70, em todo o País, produz e projeta
uma outra concepção de cidadania, baseada no trabalho,
na vida e na luta social. Uma cidadania que busca enfrentar os problemas
cotidianos da coletividade, da exploração, da miséria,
da desigualdade social, sempre presente na formação social
brasileira.
A luta por direitos sociais acentua-se na década
de 80, por meio de movimentos em prol de creches, de escolas, saúde,
moradia, assim como da luta pelo exercício da cidadania e contra
a discriminação de negros, homossexuais e mulheres, bem
como pela ecologia, pela paz, pelo direito das crianças. Essa
cidadania passa a ser construída no interior das lutas cotidianas,
formando novos sujeitos, novas identidades políticoculturais.
A educação exerce um papel fundamental nessa nova construção
da cidadania. A educação transformadora, popular, crítica,
que dialoga com a realidade dos sujeitos envolvidos, introduzida pelo
educador Paulo Freire.
Apesar desses avanços indiscutíveis,
a discriminação, a desigualdade dos direitos de mulheres,
de negros e negras continua, embora, muitas vezes, disfarçada
pelo embranquecimento das relações pessoais, das relações
de poder, que algumas mulheres e poucos negros assumem no cenário
nacional.
Este artigo pretende abordar a relação
de gênero e raça na qualificação profissional,
a partir do novo Plano Nacional de Qualificação. Essas
categorias, gênero e raça, passam no atual governo a ter
um outro papel na política pública. O governo Lula, em
2003, criou duas importantes secretarias com status de ministério,
a Secretaria Especial de Políticas de Promoção
da Igualdade Racial (SEPPIR) e a Secretaria de Promoção
da Mulher, respondendo assim às reivindicações
históricas dos movimentos de mulheres e negros de formulação
de uma política sustentável de promoção
da igualdade racial e de gênero.
A implementação e a concretização
dessas políticas de governo passam a exigir um compromisso tanto
do governo como da sociedade civil no seu conjunto de trabalhadores
e empregadores, na articulação das proposições
políticas dos atores envolvidos governo e sociedade. A
política de qualificação adquire uma outra concepção,
abordando, como premissas básicas de governo, as dimensões
política, ética, conceitual, pedagógica, institucional
e operacional, que incorporam noções de territorialidade,
empoderamento, qualidade pedagógica, efetividade social, arranjos
produtivos locais, gênero, etnia, conteúdos integrados,
contextualizados numa metodologia participativa, dialética dentro
do tripé trabalho, educação e desenvolvimento.
O texto está organizado no sentido de explicitar
a trajetória histórica das categorias gênero e raça,
articulando-as com as questões da qualificação
profissional, dentro do Plano Nacional de Qualificação
(PNQ), coordenado pelo Departamento de Qualificação da
Secretaria de Políticas Públicas de Emprego do MTE, como
um desafio de uma possibilidade de implementação de uma
política pública fundamentada numa formulação
de inclusão social pela via do trabalho e da educação.
Acceda al documento completo en formato pdf: http://www.mte.gov.br/discriminacao/ConstruindoIdentidades.pdf