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O Escritório da OIT em Portugal associa-se à celebração
do Dia Mundial da Segurança e Saúde no Trabalho - 28 de Abril 2005



“Tem havido progresso em muitas frentes no mundo do trabalho. Mas as mortes, os acidentes e as doenças relacionadas com o trabalho continuam a ser causas principais de preocupação. O trabalho digno deve ser também um trabalho seguro”.

Juan Somavia, Director - Geral da OIT
 

ALGUNS FACTOS *

Estima-se que anualmente morrem cerca de dois milhões de homens e mulheres devido a acidentes de trabalho e a doenças profissionais. Em todo o mundo ocorrem 270 milhões de acidentes de trabalho e são registadas mais de 160 milhões de doenças profissionais.

A OIT nunca aceitou a ideia de que os acidentes e as doenças são “ossos do oficio”. A prevenção funciona. Durante o século XX, os países industrializados registaram uma diminuição substancial de lesões graves, em parte como consequência dos progressos alcançados no sentido de se criar um ambiente de trabalho mais saudável e seguro. O desafio é alargar essa experiência positiva a todo o mundo laboral.

A experiência demonstra que uma cultura de segurança sólida é benéfica para os trabalhadores, os empregadores e os governos. Diversas técnicas de prevenção revelaram a sua eficácia tanto para evitar os acidentes de trabalho e as doenças profissionais como para melhorar o desempenho das empresas. As rigorosas normas de segurança actualmente existentes em alguns países são o resultado directo de políticas a longo prazo que incentivaram o diálogo social tripartido e a negociação colectiva entre os sindicatos e os empregadores, assim como a legislação de segurança e saúde eficaz apoiada pela inspecção do trabalho dotada dos meios necessários.


 
Dia Mundial da Segurança e da Saúde no Trabalho 2005 - « Uma cultura de prevenção »


O Dia Mundial da Segurança e da Saúde no Trabalho celebra-se todos os anos no dia 28 de Abril, uma data assinalada pela primeira vez pela OIT em 2001 e 2002. O conceito do Dia Mundial tem as suas raízes no Dia Internacional de luto pelas vítimas de acidentes de trabalho e doenças profissionais, que teve a sua origem no movimento sindical e que continua a ser observado como um meio para homenagear os trabalhadores vítimas de acidentes de trabalho e doenças profissionais. A OIT começou a assinalar o Dia Mundial em 2001 como forma de envolver e chamar a atenção dos governos, dos empregadores e dos trabalhadores para a prevenção dos acidentes e das doenças profissionais.

Como nos anos anteriores, o tema principal para o Dia Mundial 2005 é a promoção de uma cultura de prevenção, com um enfoque especial na prevenção dos acidentes e doenças profissionais. Vários sub-temas estão também em foco:

Construção

O sector da construção, como principal criador de emprego em muitas regiões do mundo, está também associado a um número proporcionalmente elevado de acidentes e doenças profissionais. Apesar da mecanização, este sector é ainda caracterizado por uma mão-de-obra intensiva, ao mesmo tempo que o trabalho se desenvolve em ambientes que mudam constantemente e envolvem, igualmente, uma grande diversidade de actores. O sector tem também uma longa tradição de emprego de mão-de-obra agrícola migrante que provém de economias de salários mais baixos. Além disso o emprego é, muitas vezes, precário e de curta duração de acordo com a OIT....

• Todos os anos ocorrem pelo menos 60 000 acidentes mortais em estaleiros da construção de todo o mundo. Isto significa um acidente mortal de dez em dez minutos.

• Um em cada seis acidentes mortais ocorre em estaleiros da construção.

• Nos países industrializados, 25% a 40 % dos acidentes mortais relacionados com o trabalho ocorrem no sector da construção, apesar do sector empregar apenas 6% a 10% da mão-de-obra.

• Em alguns países, estima-se que 30% dos trabalhadores da construção sofrem de dores nas costas ou outras perturbações músculo-esqueléticas.


Jovens trabalhadores e trabalhadores idosos

O aumento contínuo de jovens trabalhadores (entre os 15 e os 24 anos) na economia mundial faz surgir preocupações especiais na área da segurança e da saúde. Os trabalhadores mais jovens são mais susceptíveis de serem vítimas de acidentes não - mortais, mais graves, do que os seus colegas mais idosos, devido à falta de experiência profissional generalizada e de compreensão dos riscos presentes no local de trabalho, e também devido à falta de formação na área da segurança e saúde e falta de maturidade física e emocional. Na União Europeia, por exemplo, a taxa de incidência dos acidentes não-mortais é 50% mais alta entre os jovens trabalhadores do que noutras faixas etárias.

No outro extremo da escala, o número crescente de trabalhadores idosos está a levar muitas organizações a encarar os riscos profissionais de uma maneira diferente relativamente aos trabalhadores mais velhos. Embora o envelhecimento seja um processo individual, pode ser acelerado por condições de trabalho penosas, tais como a movimentação manual de cargas pesadas, a exposição a níveis de ruído excessivos ou os horários de trabalho atípicos. A União Europeia verificou que a taxa de incidência de acidentes de trabalho mortais era duas vezes mais elevada no grupo etário de trabalhadores mais velhos do que no grupo etário dos trabalhadores mais jovens.
 

Indicadores chave

• Todos os dias morrem em média 6.000 pessoas devido a acidentes ou doenças profissionais, totalizando mais de 2,2 milhões de mortes relacionadas com o trabalho e mais de 1,7 milhões são devidas a doenças profissionais. Para além destes números, há a acrescentar os acidentes de trajecto com mais de 158.000 acidentes mortais.

• Todos os anos aproximadamente 270 milhões de trabalhadores são vitimas de acidentes de trabalho que levam a ausências de 3 ou mais dias de trabalho, e de 160 milhões de incidentes que originam doenças profissionais.

• Perde-se aproximadamente 4% do produto interno bruto mundial com os custos relativos a lesões, mortes e doenças em resultado dos dias de trabalho perdidos, dos tratamentos médicos e das prestações de invalidez e sobrevivência.

• As substâncias perigosas matam cerca de 438.000 trabalhadores por ano, e 10% dos cancros da pele são atribuídos à exposição a substâncias perigosas no local de trabalho.

• Só o amianto é responsável por cerca de 100.000 mortes/ano e este número não pára de crescer todos os anos. Embora a produção mundial de amianto tenha diminuído desde os anos 70, o número de trabalhadores que morrem nos EUA, Canadá, Reino Unido, Alemanha e outros países industrializados, em resultado da exposição às poeiras de amianto, está a aumentar.

• A silicose - uma doença mortal causada pela exposição às poeiras de sílica - ainda afecta dezenas de trabalhadores no mundo. Na América Latina, 37% dos mineiros estão afectados, de algum modo por esta doença, atingindo-se uma taxa de 50% nos mineiros com mais de 50 anos. Na Índia, mais de 50% dos trabalhadores da ardósia e 36% dos trabalhadores da pedra têm silicose.


 
O papel da OIT

Uma cultura de prevenção da segurança e saúde compreende todos os valores, sistemas e práticas de gestão, princípios de participação e comportamentos laborais que favorecem a criação de um ambiente de trabalho saudável e seguro. A Convenção da OIT (n.º 155) sobre a Segurança, a saúde dos trabalhadores e o ambiente de trabalho, 1981 , proporciona um enquadramento adequado de apoio a uma cultura de segurança e saúde no trabalho.

Embora o desenvolvimento de uma cultura de segurança deva iniciar-se logo na educação das crianças desde tenra idade, a prevenção eficaz dos acidentes de trabalho e das doenças profissionais começa na empresa. A prevenção requer a participação dos governos e das organizações de empregadores e de trabalhadores. A adopção de procedimentos na organização do trabalho, a formação e informação aos trabalhadores e as actividades de inspecção são instrumentos importantes para promover uma cultura de segurança e saúde. As empresas que dispõem de sistemas de gestão da segurança e da saúde obtêm melhores resultados, tanto no que respeita à segurança como à produtividade. Por outro lado, aos inspectores do trabalho que estão ao serviço das autoridades governamentais cabe um papel fundamental. Mais de 130 Estados-membros ratificaram a Convenção da OIT N.º 81, sobre a Inspecção do Trabalho, 1947, um dos instrumentos com maior número de ratificações.

As Directrizes da OIT relativamente aos sistemas de gestão da segurança e da saúde no trabalho ( ILO-OSH 2001) são um instrumento poderoso para o desenvolvimento de uma cultura sustentável de segurança e saúde nas empresas e de mecanismos para uma melhoria continua do ambiente de trabalho.


Normas da OIT


Existem mais de 70 Convenções e Recomendações da OIT sobre questões de segurança e saúde. Além disso, a OIT publicou mais de 30 Códigos de Práticas de Segurança e Saúde no Trabalho.

Relativamente aos temas especiais do Dia Mundial 2005, a OIT está há muito consciente da necessidade de um tratamento especial para a indústria da construção, tendo adoptado a sua primeira convenção para a indústria em 1937. Em 1998, adoptou-se a Convenção (n.º 167) sobre Segurança e Saúde na Construção e a Recomendação ( n.º 175) que lhe está associada, reflectindo a necessidade de uma abordagem mais alargada para lidar com alguns dos problemas de segurança e saúde na construção. Para completar esta abordagem a OIT aprovou, em 1992, o Código de Práticas sobre Segurança e Saúde na Construção. O ano de 2001 foi marcado pela publicação dos Sistemas de gestão da segurança e saúde no trabalho: directrizes práticas da OIT. Estas directrizes aplicam-se a todos os sectores da economia, mas elas são particularmente úteis para o sector da construção, onde se verifica que uma acção coordenada e sistemática da gestão da segurança e saúde no trabalho se revela particularmente necessária, uma vez que salientam questões relativas à sub-contratação.

Relativamente aos trabalhadores mais jovens e trabalhadores mais velhos a Convenção (n.º138) sobre Idade Mínima de Admissão ao Emprego, 1973 e a Convenção ( n.º 182) sobre Interdição das Piores Formas de Trabalho das Crianças, 1999 e as Recomendações que lhe estão associadas ( n.º s 146 e 190) proíbem que os trabalhadores jovens com menos de 18 anos executem trabalhos perigosos. A Recomendação sobre Trabalhadores Idosos, 1980 ( n.º 162) enuncia as medidas a tomar para reduzir as dificuldades sentidas pelos trabalhadores idosos relativamente ao envelhecimento. Esta recomendação aborda questões de segurança e saúde, inserindo-as num contexto mais alargado de igualdade de tratamento, de não discriminação e de práticas em matéria de reforma.


Para mais informações: www.ilo.org/safework *

Tradução do ISHST, com a colaboração do Escritório da OIT em Lisboa, a partir do texto original da OIT: "Facts on Safety at Work" .

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Actualizado por AS/MT. Autorizado por PB. Última actualização: 12/05/2005
 

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