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10 anos do IPEC

IFP Erradicação do Trabalho Infantil

O Programa Internacional para a Eliminação do Trabalho Infantil - IPEC, além de ter sido abrigado pelo Brasil logo no ano da sua implementação em escala mundial, em 1992, foi um dos instrumentos de cooperação da OIT que mais articulou, mobilizou e legitimou as iniciativas nacionais de combate ao trabalho infantil.

OIT/IPEC logrou, de forma estratégica e oportuna, potencializar os vários movimentos no País em defesa dos direitos da criança e do adolescente por meio de duas convenções complementares fundamentais que tratam do trabalho infantil: Convenção nº138 (Idade Mínima) e Convenção nº182 (Piores Formas). Com mais de 100 programas de ação financiados pela OIT, mostrou-se que é possível não somente implementar políticas integradas de retirada e proteção da criança do trabalho precoce, como também desenhar ações preventivas junto à família, escola, comunidade e à própria criança.

O sucesso do IPEC no Brasil em introduzir a questão da erradicação do trabalho infantil na agenda das políticas nacionais se traduz nos maiores índices de redução do número absoluto de crianças exploradas no trabalho formal que se tem notícia. Entretanto, a OIT/IPEC continuará cooperando com a sociedade brasileira para progressivamente retirar as 5 milhões de crianças e adolescentes restantes (das 8,4 milhões existentes, entre 5 e 17 anos no início da década de 90). Essas encontram-se no trabalho informal, perigoso, ilícito e oculto, cujos desafios não são menores do que eram quando o IPEC veio para o Brasil há mais de 10 anos.

Trabalho Infantil Doméstico

Essa forma oculta de trabalho infantil está assumindo um espaço especial na agenda nacional. Com aproximadamente 500 mil crianças que trabalham como domésticas em casa de terceiros, afastadas de suas famílias e sem oportunidade de estudar ou brincar, elas compõem um exército invisível de mão-de-obra, que está sujeita à toda sorte de exploração.

No processo de implementação da Convenção nº182, em especial da sua Recomendação nº190, a OIT/IPEC vem contribuindo com os esforços nacionais em se desenhar mecanismos de sensibilização da sociedade, prevenção e enfrentamento do problema, dificultado não somente pelos aspectos culturais "benevolentes" que envolvem o emprego de crianças nessa atividade como também pelas restrições de acesso aos lares daqueles que exploram essa mão-de-obra.

Exploração Sexual Comercial

Ainda que a Convenção 182 tenha sido ratificada pelo Brasil em 2000, a OIT/IPEC já vem desenvolvendo programas de ação com governos, organizações de empregadores e de trabalhadores no combate e enfrentamento da exploração sexual comercial em todo o País há mais tempo.

Por meio dessas atividades, vêm-se buscando alternativas concretas de retiradas das meninas e meninos das redes de exploração e tráfico e reabilitação na comunidade de forma integrada e multi-disciplinar. A OIT/IPEC vem logrando abranger os atores-chaves necessários para impedir que grupos organizados no País e no exterior envolvam as crianças e os adolescentes nessa situação de exploração degradante e desumana.

Atividades Ilícitas

Ainda que a experiência da IPEC no combate à exploração de crianças em atividades ilícitas no Brasil seja pequena, a OIT foi pioneira em elaborar um estudo nessa temática, por meio do Projeto SIMPOC (Programa de Informações Estatísticas e de Monitoramento sobre Trabalho Infantil), intitulado "Diagnóstico Rápido sobre crianças no narcotráfico". Os dados do estudo subsidiarão um programa de ação inovador e integrado de prevenção junto à essa população em risco social.

Economia Agrícola em Regime Familiar

As ações da OIT/IPEC no contexto do trabalho infantil na agricultura familiar têm sido sistemáticas e muito inovadoras no sentido de buscar alternativas econômicas para as famílias em áreas rurais. As lições aprendidas com o Projeto Bode-Escola, em especial na região sisaleira do País, são hoje reconhecidas internacionalmente como uma iniciativa eficaz, pois aliam a questão agrária (propriedade de terra e migração rural) à geração de renda, fortalecimento do papel da mulher, economia familiar ao combate do trabalho infantil e proteção do trabalhador adolescente por meio das organizações comunitárias, governo local e sindicatos de trabalhadores rurais.

Trabalho Informal Urbano

A OIT/IPEC também participou e contribuiu com o movimento social brasileiro no contexto das ações de defesa dos meninos e meninas em situação de rua. Nesse contexto, inúmeras iniciativas foram desenhadas e desenvolvidas com organizações da sociedade civil no sentido de conhecer a natureza do fenômeno do trabalho infantil nos centros urbanos e informal como também executar ações de intervenção direta que contemplam a proteção integral das crianças ocupadas em atividades informais, lícitas ou ilícitas, e sua reinserção responsável e coordenada no contexto escolar.

Para conhecer as atividades do IPEC em todo o mundo, o acesse o site: www.oit.org/ipec


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Atualizado por Interagência   Autorizado por AP  Última atualização: 27.08.2004 15:50

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