Adolescentes e jovens da América Latina e Caribe dizem #NãoAoTrabalhoInfantil

Usando novas ferramentas de comunicação, jovens e adolescentes brasileiros convidaram seus pares da região para um debate sobre os desafios que a juventude enfrenta no contexto da pandemia, educação e a sua visão sobre o futuro do trabalho.

Notícias | 18 de Junho de 2021
Brasília/Lima - No marco do Ano Internacional para a Eliminação do Trabalho Infantil e do Dia Mundial contra o Trabalho Infantil, a América Latina e o Caribe aderiram à campanha global com um evento virtual intitulado "#ChallengeAccepted: adolescentes e jovens enfrentando o trabalho infantil", organizado pela Iniciativa Regional América Latina e Caribe Livre de Trabalho Infantil e pelo Escritório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) no Brasil.

O evento virtual reuniu representantes de organizações juvenis da região, tanto rurais como urbanas, e outros atores envolvidos na luta contra o trabalho infantil, com o objetivo de dar visibilidade e refletir sobre a importância de levar em consideração suas experiências, compromissos e propostas a serem abordadas, assim como desafios presentes e futuros para a educação e o trabalho. E com isso, fazer avançar rumo ao cumprimento da meta 8.7 da Agenda 2030, que se compromete a erradicar o trabalho infantil nos próximos quatro anos.

Noemi Rosales, integrante da Associação Civil Crecer Juntos e ex-trabalhadora infantil de Tucumán, na Argentina, afirmou que “quando se é pobre, os sonhos mudam na adolescência e na juventude. Passa-se do sonho com uma profissão ao sonho de pelo menos ter a segurança de um lar e poder combater a fome ”. Nesse sentido, ela destacou que “acompanhar e ouvir” são duas ferramentas que podem mudar a vida de meninos e meninas que passam por uma situação de vulnerabilidade que os lança para o trabalho desde muito jovens.

Por sua vez, Henry Pilco, promotor comunitário do programa de trabalho infantil do Centro de Desenvolvimento e Autogestão-DYA, da Marcha Global contra o Trabalho Infantil, e ex-trabalhador infantil de Quito, no Equador, afirmou que o trabalho infantil não é um jogo, e que coloca em risco a educação e a segurança de crianças e adolescentes. Ele lembrou aos adolescentes e jovens que eles e elas podem fazer a diferença se envolvendo na causa.

O evento contou ainda com a participação de Vinícius Pinheiro, diretor regional da OIT para a América Latina e o Caribe, que destacou que a situação atual é complexa. Ele disso que a perda de empregos, a queda da renda, o aumento da pobreza e a ampliação das desigualdades devido à crise impactam as crianças, os adolescentes os jovens de todos os nossos países. Segundo estimativas mundiais recentes da OIT e do UNICEF sobre trabalho infantil, houve uma redução no número de crianças e adolescentes em situação de trabalho na região: de 10,5 milhões em 2016 para 8,2 milhões no início de 2020. No entanto, esse número que poderia ser revertido em uma região duramente atingida pela COVID -19 em níveis diferentes.

Da mesma forma, representantes de governos, empregadores e trabalhadores da América Latina e Caribe participaram do evento por meio do vídeo “Vozes do mundo do trabalho”. Do Brasil, Ana Maria Villa Real, procuradora do Trabalho e coordenadora nacional da Coordenadoria Nacional de Combate à Exploração do Trabalho da Criança e do Adolescente (Coordinfância) do Ministério Público do Trabalho (MPT); do México, Luisa Alcalde, secretária de Trabalho e Previdência Social; do Paraguai, Carla Bacigalupo, ministra do Trabalho, Emprego e Previdência Social; do Suriname, Rishma Kuldipsingh, ministra do Trabalho, Oportunidades de Emprego e Assuntos da Juventude; e do Uruguai, Pablo Mieres, ministro do Trabalho e Previdência Social. As organizações de empregadores foram representadas por Carla Caballeros, diretora executiva da Câmara de Agricultura da Guatemala; e as organizações de trabalhadores foram representadas por Jordania Ureña, secretária de Política Sindical e Educação da Confederação Sindical dos Trabalhadores das Américas.

O encontro foi dividido em três blocos com três representantes da juventude em cada um . A primeira referente a estudos durante a pandemia contou com a participação de Andrey Nascimento da Silva, jovem ativista da Rede Nacional de Adolescentes e Jovens do Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil (FNPETI) do Brasil, Guadalupe Díaz Labra, membro da Campanha pelo Direito à Educação do México e Paulocesar Santos Moreno, membro da Campanha pelo Direito à Educação do Peru. O segundo bloco foi sobre as experiências dos e das jovens durante as medidas de confinamento e contou com a participação de Vívian Silva Guedes Siqueira, representante da Rede Nacional de Adolescentes e Jovens do FNPETI; Jazmín Elena Alfaro, membro da Rede Salvadorenha pelo Direito à Educação; e Karen Mosqueira, representante de ex-alunos de escolas agrícolas do Paraguai; Por fim, o terceiro bloco tratou das perspectivas sobre a pós-pandemia e o futuro do trabalho e contou com a participação de Sergio Cabrera Calvache, membro da Fundação Mundo Melhor da Colômbia, Ana Lícia Felipe Bezerra Luz, integrante do Comitê Estadual de Adolescentes para a Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil no Brasil; e Henry González Guevara, membro da Organização Contra-Peso do Panamá.

“#ChallengeAccepted: adolescentes e jovens enfrentando o trabalho infantil” destacou-se pela criatividade com que cada representante jovem abordou essas questões e os impactos relacionados com o tema do trabalho infantil, caso as medidas necessárias não sejam tomadas agora.

Entre suas propostas, adolescentes e jovens destacaram que as respostas à crise devem levar em consideração investimentos em educação inclusiva e de qualidade para que a juventude esteja qualificada a aproveitar oportunidades e ter acesso a empregos decentes. Além disso, os e as representantes jovens lembraram que todos devemos assumir a responsabilidade de lutar por uma região livre do trabalho infantil.

Ana López Castelló, coordenadora da Secretaria Técnica da Iniciativa Regional, destacou que os adolescentes e jovens da América Latina e do Caribe têm forte liderança e compromisso como agentes de mudança social para a região.

Nesse sentido, para que não haja mais histórias como as de Noemi e Henry, devemos apostar na inclusão de adolescentes e jovens na concepção de propostas, especialmente para a transição escola-trabalho e a inserção no mundo do trabalho.

Em 2021, o Ano Internacional para a Eliminação do Trabalho Infantil, incluir as vozes e capacidades de adolescentes e jovens no combate ao trabalho infantil é ainda mais importante para manter o ritmo de redução, especialmente no contexto da saúde e econômica enfrentada pelos países. É urgente contar com o compromisso e a ação de todas as pessoas para a construção de sociedades mais inclusivas e prósperas.