COVID-19: Proteger as pessoas mais vulneráveis

Migrantes concluem capacitação profissional promovida por projeto de combate ao trabalho escravo em Mato Grosso

Grupo de 20 venezuelanos, bolivianos e haitianos recebeu treinamento em curso atendente de supermercado, ministrado pelo Senac.

Notícias | 12 de Novembro de 2020
Grupo de 20 venezuelanos, bolivianos e haitianos recebeu treinamento em curso atendente de supermercado
Cuiabá - Na quarta-feira (11), na capital de Mato Grosso, uma cerimônia de formatura simples e adaptada às novas normas de segurança e higiene durante a pandemia marcou um dia importante para um grupo de 20 migrantes venezuelanos, bolivianos e haitianos.

Eles concluíram o curso profissionalizante de atendente de supermercado, ministrado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) de Mato Grosso. A capacitação profissional é uma das atividades do projeto de Combate ao Trabalho Escravo no estado, promovido pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) e pelo Centro de Pastoral para Migrantes (CPM), com o apoio do Senac e demais instituições de ensino.

Migrante venezuelana Karla Castillo
O objetivo do projeto é diminuir a vulnerabilidade, assegurar os direitos básicos e promover a empregabilidade de trabalhadores e das trabalhadoras migrantes, resgatados e vulneráveis em Mato Grosso, por meio de ações integradas que protegem essa população do risco de aliciamento para condições de trabalho escravo e de outras formas de exploração.

Ao longo de 16 horas do curso, a turma composta por 19 mulheres e um homem aprendeu, dentre outros temas, sobre perfil de clientes, modelos de antedimento, diversidade, normas e regulamentos da atividade profissional e mediação de conflitos.
Betchy Salazar disse que que o conhecimento adquirido será útil para o seu trabalho.
"Fiz esse curso para aprender ainda mais. Atualmente trabalho no (setor de) atendimento de um shopping. Esse curso me dá estratégias de como atender as pessoas, as vezes inquietas e de forma alterada, utilizando as palavras adequadas", disse Karla Castillo, de 31 anos.

Os alunos receberam os certificados atestando o conhecimento profissional recém adquirido que poderá ser empregado nas atividades que já desempenham ou que exercerão.

"Eu sou fabricante de joias e semijoias, a forma de atender o cliente no Brasil é diferente da forma como trabalhávamos na Venezuela. Então (saber) a forma de atender ao cliente é muito útil para o meu trabalho", disse Betchy Salazar Azocar, migrante venezuelana que está no Brasil há um ano e meio.

Combate ao Trabalho Escravo em Mato Grosso

Estabelecido em 2019, o projeto implementa uma série de ações integradas e complementares, para levar o trabalhador resgatado de condições análogas ao trabalho escravo, migrante e suas famílias da vulnerabilidade ao aliciamento para o trabalho escravo - e da consequente exclusão socioeconômica - ao empoderamento como cidadãos cientes de direitos, à inserção social e cultural e à inclusão no mercado de trabalho decente.

O primeiro passo é atender e encaminhar os trabalhadores resgatados, migrantes e suas famílias para o acesso a políticas públicas e a assistência social, de forma que possam solicitar a emissão de documentos como carteira de trabalho, CPF e Registro Nacional de Estrangeiros (RNE), além de ter serviços de educação e saúde e a benefícios do governo federal, como o Benefício Emergencial de Preservação do Emprego e da Renda (BEm).

A inserção social, cultural e ao idioma dos migrantes é promovida por meio de cursos de português básico ministrado por professores voluntários, além de palestras sobre aspectos culturais do Brasil.
A etapa seguinte é preparar os migrantes para a busca de trabalho decente por meio da qualificação profissional, voltados para o mercado de trabalho local. Paralelamente, o projeto busca criar uma rede de sustentável de empregabilidade. Para isso, é feito um mapeamento da oferta e da demanda de emprego, o que cria um banco de vagas de trabalho. Por fim, para verificar a adaptação e as condições de trabalho do migrante contratado é feito um monitoramento periódico.

(*) Com informações de Lorena Sanchez Gonzales, assessora especializada em público vulnerável do CPM.