Projeto leva poesia como ponte para o emprego de jovens cumprindo medidas socioeducativas

Com o objetivo de propor novas estruturas de trabalho socioeducativo, o projeto “Versos de Liberdade” tem levado poesia a unidades de internação de adolescentes desde 2013.

Notícias | 27 de Julho de 2016
A iniciativa promove oficinas de poesia para capacitar não apenas os jovens em cumprimento de medidas socioeducativas, mas também os educadores sociais e professores que trabalham nas unidades. As formações, que podem ser conferidas no vídeo abaixo, são realizadas para fortalecer a autoestima dos participantes, assim como sua capacidade de expressar ideias e sentimentos e de utilizar a palavra para a resolução de conflitos. Dessa forma, o uso da linguagem poética contribui para a qualificação do atendimento socioeducativo e capacita tanto profissionais quanto adolescentes como multiplicadores do diálogo humanizado.




Segundo a Oficial de Programação da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Thais Faria, “a proposta do projeto é fortalecer a comunicação e a auto estima de jovens para aumentar as possibilidades de inserção no mercado de trabalho. As oficinas estão ligadas a projetos de formação profissional e torna mais eficaz a aprendizagem e retorno à escola”.

O Brasil tem 23.066 adolescentes em cumprimento de medidas socioeducativas de privação ou restrição de liberdade, de acordo com dados do Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (SINASE) de 2015. A maioria pertence a famílias de baixa renda e estava fora da escola quando cometeu o ato infracional. A imensa maioria desses jovens é negra ou parda.

“Esse adolescente vem num corredor de exclusão: a família falhou, a escola falhou, a sociedade falhou em vários lugares”, explica Marcelo de Marque, da Escola Casa Poema.

Resultado de uma parceria entre o Escritório da OIT no Brasil, a Casa Poema Produção e Educação Cultural, a Fundação José Silveira e a Fundação da Criança e do Adolescente, o projeto já realizou sete oficinas em unidades de internação de adolescentes da Bahia desde 2013. A produção do vídeo sobre o projeto é uma ação da Década Internacional de Afro Descendentes da ONU e contou com o apoio do Ministério Público do Estado da Bahia e do Ministério Público do Trabalho.